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A luz que vem do alto brilhe no Ano Novo

No Natal encontramos a luz. Que ela ilumine todo o ano que vai começar!

Muitos vivem neste mundo em caminhos escuros ou obscuros, tateando na vida, sem saber de onde vieram e nem para onde irão. Perdem o rumo, desviam-se frequentemente de um objetivo para o qual valha à pena dar a vida. Muitos vivem nas trevas do ateísmo, do indiferentismo religioso ou, às vezes, até da irritação com aqueles que creem. Muitos não se libertam de si mesmos e veem-se embaraçados nos fios de seu egoísmo, tentando se valer inutilmente de sua própria e pobre luz.

Há uma só luz para a existência humana e ela vem do alto, como afirma São João Evangelista: “A luz brilhou nas trevas, mas as trevas não conseguiram dominá-la” (Jo 1, 5). Naquela noite iluminada por Cristo que nasce em Belém, todo ser humano é chamado a abrir-se e a expandir tal luz, pois a humanidade, em grande parte tem necessidade premente de iluminação e de clareza sobre em que crer, o que viver e como agir. Por isso Jesus nos pede e nos ensina que a luz da manjedoura de Belém brilhe em nós e reflita em todos os que encontrarmos na vida ou que conosco procurem praticar o bem e somente o bem. Assim afirmou: “Brilhe a vossa luz diante dos homens para que vejam vossas boas obras e deem glória a Deus” (Mt 5, 16.) A nossa luz não é própria. Somos como planetas e satélites que refletem a luz do Sol da Justiça, que é Deus mesmo.

Na noite do Natal, nas cercanias da cidade de Davi, Maria deu à luz a seu Filho primogênito (Lc 2, 7). Pastores que estavam por perto viram anjos que cantavam “Glória a Deus nas alturas e paz na terra aos homens de boa vontade” (Lc 2, 8). Foram envoltos em luz e um dos anjos lhes anunciou o nascimento do Menino: “Encontrareis um menino envolto em panos e deitado numa manjedoura” (Lc 2, 12). E eles atenderam ao aceno do Anjo e se dispuseram ir em busca do recém-nascido, que pelo anúncio angelical, souberam ser o Salvador do mundo (Lc 2, 11).

Muitos, ao contrário, resistem à luz, mas ela vencerá as trevas. Muitos, equivocadamente, por não terem a graça de crer, desejam impedir que ela ilumine, mas trata-se de algo impossível, pois ninguém a alcança para este fim. Porém, os que a recebem e passam a amá-la nunca mais se distanciarão dela. “Feliz és tu, porque acreditaste” (Lc 1, 45), disse Isabel a Maria. A fé ilumina a mente, o coração, a vida, o presente e o futuro.

Feliz de quem encontrou a luz! Sua vida será iluminada para sempre. Haverá de escutar da boca do mesmo Jesus que nasceu em Belém, quando já crescido começou a expandir sua luz: “Eu sou a luz do mundo, quem me segue não andará nas trevas, mas terá a luz da vida” (Jo 8, 12).

A grande Luz, que é Jesus, acende para a humanidade outras claridades com seus sinais. Por isso o Profeta Isaias proclamou com antecedência: “ O povo que andava nas trevas viu uma grande luz: para os que habitavam nas sombras da morte, uma luz resplandeceu” (Is 9, 1 -6)
O que posso desejar-lhe de melhor, senão que a Luz que vem do alto brilhe em sua vida, em seus caminhos, em seus propósitos, em suas decisões durante todo o novo ano de 2017!

Feliz Ano Novo!

Dom Gil Antônio Moreira
Arcebispo Metropolitano de Juiz de Fora

Feliz Natal!

2O nascimento de Jesus é tema permanente, não pode ser só de um dia de festa, mas de toda a trajetória da humanidade. Não basta uma festiva celebração, comida, bebida, música, enfeites e outras iniciativas passageiras; é necessário nos comprometermos com o Deus revelado em Jesus Cristo que por amor veio ao nosso encontro. “E o Verbo se fez carne e habitou entre nós”, Deus eterno, o Filho, segunda pessoa da Santíssima Trindade, assume a nossa natureza humana.

Um Deus em forma de criança, um Deus que nasce numa manjedoura, perto dos pobres como Maria e José, dos trabalhadores como os pastores, um Deus incompreendido pelos grandes como Herodes, um Deus que precisa ser cuidado por uma família como qualquer criança. Jesus é o Deus conosco, interessado por nós, que cuida de nós, que acompanha nossa vida.

O Natal é o momento privilegiado para aprendermos as lições profundas que o Filho de Deus nos dá, abrindo a nossa compreensão para a prática do amor solidário em nossas vidas. No ambiente familiar, é a oportunidade de reconciliação e de melhorar a vivência da fraternidade. Nas situações cotidianas na sociedade, precisamos esquecer mágoas e renovar o relacionamento e apreço mútuos.

Diante do presépio, cada cristão deveria parar, olhar, contemplar e adorar. E sair dali, levando em seu coração emoções que jamais deveriam se apagar, e assumindo o compromisso com a construção do Reino eterno e universal que Jesus veio instaurar: reino da verdade e da vida, da santidade e da graça, da justiça, do amor e da paz.

Ao celebrar o Ano Mariano, exaltamos a Virgem Maria, Mãe de Deus e nossa, pelo sim que possibilitou a maravilha da vinda do Filho de Deus ao mundo, pois o verbo se fez carne em seu ventre e veio habitar entre nós.


Mons. Luiz Carlos de Paula
Pároco da Catedral Metropolitana

 

 

Aborto: Brasil ferido em tempo de Natal

100219084209 bebe18Estamos no tempo do Advento, preparando-nos para celebrar o nascimento do Salvador. No Natal, aqueles que creem se inclinam, com referência ante o recém-nascido na manjedoura de Belém. O povo brasileiro, em sua imensa maioria cristão e temente a Deus, celebra o maior evento da história da humanidade: o nascimento de Jesus de Nazaré, e contempla o presépio com ternura e respeito.

Porém, ao lado desta abençoada experiência existencial, no corrente ano, estamos sendo surpreendidos por uma verdadeira traição dos que nos governam, quando assistimos à aprovação do aborto até o terceiro mês de gestação. Enquanto o país estava consternado com a tragédia da queda de avião que matou jogadores e outras pessoas, o STF aprovou a legalização do assassinato de inocentes. Somos obrigados a conviver com movimentos que agridem a vida e a dignidade da pessoa humana. O aborto não é outra coisa senão infanticídio. É inacreditável que em pleno século XXI, com tanto progresso tecnológico e científico, haja um regresso em questão de humanidade.

Não tenhamos dúvida: se hoje aprovam abortamento até o terceiro mês, os cultores da morte não se contentarão com isto. Em breve se sentirão fortes para aprovar o aborto em qualquer circunstância até o nono mês. É mais que trágico!

A argumentação a favor deste ato insano é totalmente falha e marcada por uma fragilidade inacreditável. Defendendo o pretenso direito incondicional da mulher sobre o seu corpo, sem levar em consideração o direito da criança sobre o dela, não apresentam outro motivo para a proposição senão o fato de haver muitos abortos clandestinos e mortes de mães provenientes deste procedimento ilegal. Mas matar é sempre ilegal. A única exceção seria a legítima defesa que nada tem a ver com o caso em questão. Matar um ser humano e, sobretudo uma criança indefesa, é um crime horrendo.

A afirmação ilusória de que legalizando se diminuirá o número de abortos é na verdade enganadora, pois nos países em que o aborto foi legalizado, o número de abortamentos aumentou escandalosamente. No mais, é muito curioso que para combater um mal, se busque a insana ilusão de legalizar o mal. É como se quiséssemos legalizar o roubo para acabar com o roubo, legalizar a violência para acabar com a violência, legalizar a prostituição para acabar com a prostituição. Isto é, no mínimo, total ausência de racionalidade. O aborto é sempre um crime. A criança que está no seio materno é, desde a concepção, um ser humano de direitos e que merece mais proteção da lei que outros porque não pode ainda se defender por si mesma. O embriologista Lewis Wolpert é de opinião que o momento da concepção é o mais importante de nossa existência, até mais importante do que o nascimento, o casamento ou a morte. A doutora Alice Teixeira Ferreira, médica, coordenadora do Núcleo Interdisciplinar de Bioética da UNIFESP, afirma que ser a favor da descriminalização do aborto equivale a ser conivente com o assassinato de embriões e fetos que já são vidas humanas. A mesma cientista denuncia que, para aprovar esta lei, recursos sórdidos estão sendo usados, como estatísticas enganosas e apelos propagandistas duvidosos.

A legalização do aborto, em suas variadas formulações de autores diferentes, faz parte de uma orquestração internacional de grupos de interesse. Muitos são os motivos (todos falhos) que levam a proposição de legalizar o aborto. Entre estes motivos, não se exclui nem mesmo o escandaloso e milionário comércio de embriões e de favorecimentos político-ideológico.

Preparando a celebração da noite santa do Natal, o que mais exige o momento histórico é agir concreta e conjuntamente para defender a vida e sua dignidade em nosso país.

Dom Gil Antônio Moreira
Arcebispo Metropolitano de Juiz de Fora

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