chamada blog

Os Eleitos e o Brasil sob Materna Proteção

Rainha-do-Brasil-IIO coração da maioria dos brasileiros confia na intercessão de Maria, a Mãe do Senhor. Afinal, foi a Virgem de Nazaré que socorreu a família de Caná da Galileia, quando esteve em apuros. Dirigindo-se a Jesus, sua prece de intercessão foi atendida de imediato. A única recomendação dada por ela foi essa: “Fazei tudo o que ele vos disser” (Jo 2, 5). Assim, segundo as Escrituras, se deu o primeiro milagre de Cristo.

Nesta hora de novas esperanças para o Brasil e os Estados da Federação, quem crê nessa verdade não deixará de invocar sua proteção, suplicando que ampare os recém-eleitos, bem como as famílias, a vida, a dignidade humana, a paz social e a democracia. Debaixo do manto de Nossa Senhora e Nossa Rainha, os fiéis brasileiros colocam as crianças para que não sejam maculadas com ideologias agressivas à moralidade e à ciência, depositam os 14 milhões de desempregados gerados pela crise dos últimos anos, introduzem a falta de segurança diante do crescimento assustador de crimes, suicídios e violência.

Também esperam soluções viáveis para as questões trabalhistas, o uso ou não de armas, a reforma do sistema carcerário que hoje não consegue restaurar a vida dos apenados. Outros pontos preocupantes, para governantes e o povo, são como vencer a desumanidade dos abortistas, a incompreensível proposta de socialização das drogas ilícitas, a corrupção política, as questões ecológicas, o insuficiente saneamento básico e a educação distorcida para crianças entregues ao Estado em tempo integral, com mínimo de participação dos pais. Muitos outros problemas estarão na pauta dos novos governantes e na esperança dos brasileiros.

Quanto ao aborto, o Papa Francisco, na catequese que fez dia 10 de outubro passado, afirmou: “Interromper uma gravidez é o mesmo que eliminar alguém. É justo eliminar uma vida humana para resolver um problema? (…) É justo contratar um matador de aluguel para resolver um problema? Não, isso não é justo”. Em junho passado, o Papa Francisco havia comentado com severidade comparando o aborto feito em caso de malformação do feto como programa de “eugenia da era nazista”.

Alimentemos nossa esperança. Confiamos na intercessão de nossa Mãe e Padroeira que pedirá ao Pai e ao Filho que enviem o Espírito Santo para iluminar os eleitos nos Poderes Executivo e Legislativo, e também sobre o Judiciário para que a vida seja defendida em sua integralidade.

Sobre a devoção dos brasileiros a Nossa Senhora Aparecida, o Papa Francisco escreveu aos Bispos reunidos na 36ª Assembleia da Conferência Episcopal Latino Americana, em maio de 2015, afirmando: “Em Aparecida, encontramos a dinâmica do povo fiel que se confessa pecador e salvo (…), um povo consciente de que suas redes, sua vida, está cheia de uma presença que o anima a não perder a esperança; uma presença que se esconde no cotidiano do lugar e das famílias, nestes silenciosos espaços em que o Espírito Santo continua apontando ao nosso Continente. Tudo isto nos apresenta o formoso ícone que a nós pastores convida a contemplar”.

O atual Sucessor de Pedro já havia valorizado a celebração e o amor do povo brasileiro a Nossa Senhora com outros expressivos gestos. Concedeu indulgência plenária, durante o Ano Mariano, aos peregrinos do Santuário Nacional e das Paróquias a ela dedicadas, mandou edificar, nos jardins do Vaticano, monumento à “Padroeira do Brasil”, enviou mensagens, escreveu oração, mandou seu Legado para as celebrações dos trezentos anos do encontro da imagem em 2017, por fim, ofereceu a Rosa de Ouro ao Santuário de Aparecida, prêmio raro e singular que a Santa Sé reserva para ocasiões muito especiais, tendo afirmado anteriormente, que “Deus ofereceu ao Brasil a sua própria Mãe”.

Ela acompanhe passo a passo e abençoe o novo Presidente da República, Jair Messias Bolsonaro, o Governador de Minas, Sr. Romeu Zema Neto, e todos os demais eleitos. Todos estamos, com fé em Deus e a proteção materna de Maria, torcendo pelo Brasil.


Dom Gil Antônio Moreira
Arcebispo Metropolitano de Juiz de Fora

A Igreja tem candidatos?

Igreja-bispoHá muitos anos a Igreja, seja pelos documentos papais, seja pelos pronunciamentos das Conferências Episcopais, tem procurado ser isenta nas opções político-partidárias, não indicando candidatos e não privilegiando partidos. Ela, contudo, indica princípios e critérios a partir dos Santos Evangelhos, resumidos na sua doutrina social, na moral familiar e nos seus códigos de ética construídos ao longo da história à luz dos ensinamentos de Cristo. A partir do Concílio Ecumênico Vaticano II (1962-1965), ela tem reforçado estes propósitos.

O critério de pronunciar-se, em máximas vezes, por meio de documentos aprovados em assembleias, sínodos ou concílios tem se revelado ideal, pois os textos são julgados pelos presentes com direito a críticas, modificações e eliminação de termos dúbios. Esse método é aplicado na CNBB com muita responsabilidade e precisão. Posso afirmar, que, em toda a minha vida, não encontrei, no Brasil, nenhum outro grupo que tenha mais espírito democrático, mais liberdade na votação de textos que a CNBB.

Porém, vez por outra, surgem problemas. Bispos são também humanos. Alguns são mais acalorados sobre determinados pontos de vista e outros são, às vezes, extremamente acomodados porque não querem polêmicas. Não nos assustemos se, em épocas de campanha, apareçam um bispo ou outro, um padre ou um diácono que se deixem levar pela paixão e facilitem espaços nas igrejas, ou mesmo nos prédios oficiais da CNBB, para candidatos que lhe pareçam mais indicados. São exorbitâncias. Há, embora poucos que, dominados pela ânsia dos votos, até chegam a sublevar o valor da Sagrada Comunhão e dos púlpitos, como se a sua escolha e sua opinião fossem verdade suprema, acima da Bíblia, da Sagrada Doutrina e até do direito democrático de pensar diferente deles. Os que lhes opõem, às vezes, são tratados por eles como réprobos, reacionários, alienados e outros depreciativos. Pior ainda quando fazem do altar verdadeiros palanques eleitoreiros, sem se importar com a noção de sacrilégio. Não tomemos esses irmãos ideologizados por representantes da Igreja. Não são. Mas não guardemos ressentimentos contra eles. Continuam nossos irmãos, pois nossa fé e nosso amor a Deus são muito superiores a estas situações e nossa fraternidade é muito mais preciosa que a política.

Esses comportamentos acontecem também no campo protestante e em igrejas evangélicas de coloração pentecostal, chegando a sacralizar de tal maneira alguns candidatos que parecem estar convencidos que Jesus é também eleitor de sua urna. As emoções em época de política ficam à flor da pele e, para muitos, de forma imatura e perigosa.

Quanto à CNBB, o único documento oficial sobre eleições 2018 é a Mensagem da 56º Assembleia Geral, de 17 de abril passado, que afirma, entre tantos outros princípios que é fundamental conhecer e avaliar as propostas e a vida dos candidatos, procurando identificar com clareza os interesses subjacentes a cada candidatura. A campanha eleitoral torna-se, assim, oportunidade para os candidatos revelarem seu pensamento sobre o Brasil que queremos construir. No Regional Leste 2 (MG e ES) há Mensagem dos Bispos, publicada a 5 de junho de 2018, na Assembleia Regional, onde se pode ler: Não queremos e não vamos nos sobrepor às consciências, indicando em quem votar, mas nos comprometemos em oferecer elementos e subsídios para o necessário discernimento neste contexto eleitoral. O Evangelho, fonte inspiradora da Doutrina Social da Igreja, é o critério a partir do qual queremos pensar a política e os políticos. Daí pensaremos o Brasil e queremos construí-lo a partir do Projeto de Deus.

No discernimento, o melhor é não ser ingênuo e pensar que seu candidato seja perfeito e seu partido seja detentor da verdade suprema. Todo candidato tem algo bom e algo ruim. Em todo partido há coisas positivas e coisas negativas. É preciso examinar qual opção é a mais indicada para o País e para o Estado neste momento da história. Quanto aos programas dos partidos, é necessário verificar se não há incompatibilidade com suas convicções religiosas. Um dos aspectos nesta análise, observemos que tratamento a pessoa humana, sobretudo os mais pobres, os desempregados, os sofredores, as crianças terão. Na análise da personalidade do candidato, verifiquemos se ele tem costume de mentir para ganhar eleições, se usa de meios desonestos, de recursos enganadores. Sua vivência religiosa também deve ser examinada, verificando se é autêntica, ou se comporta de um jeito no dia a dia e na época das eleições muda seus hábitos. Ele está disposto a defender a vida contra leis abortistas e a proteger a família na educação moral e religiosa dos filhos?

A questão da violência é ponto central. Que métodos seriam mais indicados para combater a violência, de forma tal que inibam o crescimento do mal e ao mesmo tempo respeitem a dignidade da pessoa humana? Que proposta ele tem para os graves problemas da saúde? Certamente, além desses, outros pontos devem ser analisados.

Que Deus nos ilumine, que Nossa Senhora Aparecida interceda por nós, neste momento tão importante de nossa Pátria.


Dom Gil Antônio Moreira
Arcebispo Metropolitano de Juiz de Fora

Mês Missionário

Celebramos cada ano o mês das missões. É um tempo para rezar e refletir sobre a necessidade de que as boas notícias de Deus possam chegar a todos os recantos e a todas as pessoas. O mundo precisa ser evangelizado, precisa ouvir falar de Deus. A esse mundo tão marcado por notícias ruins, dilacerado por discórdias e maldades, precisamos lançar as sementes do evangelho para que tenhamos frutos de amor, de justiça e de paz.

O batismo de Jesus marca uma passagem da vida oculta em Nazaré para a sua atividade missionária. Nele, Jesus, conduzido pelo Espírito Santo, inicia a sua ação missionária. (Mt 3, 13-17) Depois, numa sinagoga em Nazaré, Ele apresenta o seu programa missionário, citando o profeta Isaías (Is 40) “O Espírito do Senhor está sobre mim, porque ele me ungiu para evangelizar os pobres; enviou-me para proclamar a liberdade aos cativos e aos cegos a recuperação da vista...” (Lc 4, 18-20) Na sua Missão, Jesus revela um Deus cheio de compaixão e misericórdia, que ama e cuida, cura, restabelece a vida com ternura.

A maior notícia da história é esta: Deus se fez homem e veio habitar entre nós para nos salvar e conduzir à vida em abundância. Jesus, após a sua ressurreição, antes de voltar ao Pai, reuniu seus discípulos e deu-lhes as últimas orientações: “Portanto, vão e façam com que todos os povos se tornem meus discípulos”. (Mt 28,19) Ser missionário
não é privilégio, é um dever. Ser missionário não é atividade de alguns, é obrigação de todos os cristãos. A missão de evangelizar é própria de todas as pessoas batizadas, na riqueza da diversidade de carismas e ministérios, que o Espírito do Senhor Ressuscitado suscita no Povo de Deus.

Evangelizar é comunicar com palavras e, principalmente, com o testemunho de vida que vale a pena seguir Jesus Cristo, porque só Ele é o caminho, a verdade e a vida e só Ele é capaz de nos dar a verdadeira felicidade. 

A Igreja precisa de “evangelizadores com espírito, quer dizer evangelizadores que se abrem sem medo à ação do Espírito Santo. Em Pentecostes, o Espírito Santo faz os Apóstolos saírem de si mesmos e transforma-os em anunciadores das maravilhas de Deus, que cada um começa a entender na própria língua. Além disso, o Espírito Santo infunde a força para anunciar a novidade do Evangelho com ousadia, em voz alta e em todo o tempo e lugar, mesmo contra a corrente. Invoquemo-Lo hoje, bem apoiados na oração, sem a qual toda a ação corre o risco de ficar vã, e o anúncio, no fim de contas, carece de alma. Jesus quer evangelizadores que anunciem a Boa Nova, não só com palavras mas sobretudo com uma vida transfigurada pela presença de Deus”(EG 259).

Que Deus nos abençoe e nos faça verdadeiros discípulos missionários a serviço do Reino, anunciado por Jesus Cristo, que veio para que todos tenham vida e “para que a tenham em plenitude” (Jo 10,10)

Mons. Luiz Carlos de Paula
Pároco

Arquivos

Tags

  1. Facebook
  2. Twitter
  3. Instagram
  4. Video