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Dia universal das espécies animais

2074374181 9e04a6928bJunto à memória festiva de São Francisco celebramos, com gratidão, a data de nossos amigos, aliados e mestres na nossa peregrinação terrestre: os animais. Atribui-se a Diógenes Laércio, o fundador da filosofia cínica (de cinos, cachorro) a frase: “mais conheço as pessoas mais amo os meus cachorros”. Na verdade, considero mais justa a opinião de Abrahão Lincoln que afirmava que “o amor e cuidado dos animais mostrava o grau de civilização e o termômetro das virtudes de um determinado país”.

Por certo que quem ama e cuida de animais está bem mais perto de ser uma pessoa compassiva, fraterna e pacífica em relação aos seus parceiros humanos. Também, é importante dizer que o cuidado e aprendizado é mútuo e diferenciado. Cada vez está mais reconhecida pela etologia que os animais nos curam, nos protegem e nos tornam pessoas mais presentes e sensíveis.

Neste tempo de pandemia, observamos o quanto ajudaram às pessoas idosas, solitárias e até depressivas, a saírem de seu fechamento e tristeza superando quadros de angústia e perda do sentido da vida. Com eles aprendemos a gratuidade e a dádiva nos relacionamentos, que o estar disponível é mais importante que o fazer afobado, que brincar com humor nos torna mais leves e felizes.

Para muitos que estão em situação de rua, o animal é mostra de fidelidade ímpar que não duvida um instante sequer por dar a vida pelo seu dono, ou melhor, seu líder humano. Um quadro em óleo, do renomado pintor uruguaio Blanes, apresenta uma cena marcante sobre até onde chega a entrega dos animais.

Vê-se o herói Artigas, no que era o seu lugar de comando, empurrando e gritando com dois oficiais que tinham sido enviados pelo General Lecor, comandante das forças portuguesas, propondo sua rendição e oferecendo privilégios e vantagens, já que era inútil sua luta por falta de soldados.

Ele, determinado, retrucou: “digam a seu patrão que, quando me faltem homens, continuarei a lutar com cachorros cimarrões (não domesticados), e, à essa voz, uma matilha de cachorros apresentou-se mostrando os dentes dispostos a atacar os oficiais. Artigas nunca se rendeu, e foi exilado no Paraguay com seu resto de gaúchos, indígenas tapes, negros e cachorros. Agradecemos ao Pai das misericórdias por estes amigos, aliados e companheiros que nunca desistem de nós. Deus seja louvado!


Dom Roberto Francisco Ferreria Paz
Bispo de Campos (RJ)

A caridade em primeiro lugar

caridade-de-sao-vicente-de-pauloHouve em Paris um Padre que se tornou o símbolo da caridade para o mundo. Sua existência foi totalmente dedicada a socorrer os pobres e sofredores. Nasceu em Pouy, nos arredores da capital francesa, a 23 de abril de 1581, e recebeu na Pia Batismal o nome de Vicente de Paulo. Tendo sido menino pobre, na infância teve a incumbência de cuidar de porcos. Desde cedo, sentindo um grande amor a Cristo e singular sensibilidade pelo próximo, fez seus estudos preparatórios e foi ordenado padre a 23 de setembro de 1600.

Observada sua grande caridade para com os empobrecidos, uma senhora viúva ofertou-lhe sua herança e um boa soma de dinheiro que estava em poder de uma pessoa na cidade de Marselha. Indo buscar o valor para acudir às suas obras de misericórdia, na viagem de volta o navio em que estava foi sequestrado por piratas anticristãos. O jovem Padre Vicente de Paulo foi vendido como escravo a fim de servir a infiéis e passou por sofrimentos e humilhações. Sendo vendido outra vez para um fazendeiro que havia traído a fé cristã e aderido a uma seita islâmica, Vicente foi agraciado por Deus, pois uma das três mulheres do fazendeiro, embora não fosse cristã, se encantava com os cânticos católicos que seu escravo cantava e acabou facilitando sua libertação, causando ainda a conversão de seu marido, que retornou à fé católica e entrou para um mosteiro, vivendo piedosamente até o fim de sua vida.

O Padre Vicente, voltando a Paris, pôde exercer livremente seu sacerdócio e praticar heroicamente sua caridade em favor dos pobres daquela cidade e região. Seu exemplo de amor a Deus e aos pequeninos despertou a admiração das autoridades monárquicas e ele foi nomeado Capelão da Rainha Margarida de Valois, que o encarregava de distribuir esmolas aos pobres. O Rei Henrique IV da França, gravemente doente, pediu a presença do Padre Vicente de Paulo para dar-lhe os últimos sacramentos e morreu em seus santos braços. Para atender aos pobres, Padre Vicente organizou muitas obras, entre elas a Confraria das Damas da Caridade, ajudado por Santa Luísa de Marilac, a Congregação da Missão para servir aos pobres e cuidar da formação dos futuros padres, e o Instituto das Filhas da Caridade. São Vicente de Paulo faleceu dia 27 de setembro de 1660. Foi canonizado pelo Papa Clemente XII a 16 de junho de 1737.

A figura emblemática de São Vicente de Paulo marcou a história da humanidade no século XVII e prossegue com seus reflexos nos tempos posteriores. No ano de 1833, Antônio Frederico Ozanam, eminente professor universitário em Paris, funda as Conferências Vicentinas que darão início à Sociedade de São Vicente de Paulo (SSVP), hoje presente em todo o mundo, levando a caridade de São Vicente e o exemplar amor de Cristo aos mais necessitados. Sua forma de agir é genuinamente cristã, por quanto os vicentinos nada fazem para serem vistos ou louvados, mas têm como regra a máxima de Jesus: “Que a tua mão esquerda não saiba o que faz a direita” (cf. Mt 6, 3).

A SSVP está presente em Juiz de Fora há mais de cem anos com inúmeras conferências. A primeira delas foi a Conferência Santo Antônio, fundada em 1894. Com o crescimento do número de vicentinos, em 1964, foi organizado o Conselho Metropolitano, que hoje conta com nove Conselhos Centrais, 76 Conselhos Particulares, 485 conferências e cerca de 4.300 vicentinos na região.

É justo dizer que na Zona da Mata nenhum grupo humano tem servido tanto aos pobres quanto a SSVP.


Dom Gil Antônio Moreira
Arcebispo Metropolitano de Juiz de Fora

O encanto dos ipês

b76afc35edc6a6ca1286ce5711a245c6A primavera chega com força e com o irresistível fascínio que esta estação traz ao nosso olhar. No início de setembro, viajando pelo interior do Rio Grande do Sul, em companhia de minha mãe e de amigos, ao longo das rodovias, passamos por vários trechos ladeados por exuberantes ipês floridos. Nas redes sociais, muitos usuários faziam questão de postar suas fotos, como que num concurso de qual delas mereceria mais “likes”, as famosas curtidas. Não faltaram as expressões para exaltar a beleza. Dentre elas: “os ipês, de tirar o fôlego!”. Quanto mais variados e intercalados, entre roxos, amarelos e até brancos, que são mais raros, o mosaico de fotos só enalteceu e confirmou o encanto dos ipês.

O mês de setembro, além dos ipês, traz o início da primavera, quando a natureza explode em vida: renovação das árvores, beleza das flores, o gorjeio das aves, que buscam renovar as gerações construindo novos ninhos. A vida fala! Para a humanidade, a juventude representa força e esperança. Depois do longo inverno da pandemia, é nela, na juventude, que depositamos o futuro. Claro, todos somos humanidade, e todos temos a mesma grandeza de vida. Mas é ela a idade mais vigorosa, de explosão hormonal, da criatividade intelectual, da qual espera-se novos inventos, novos rumos e novos caminhos. Depois da hibernação, neste longo período da pandemia, é o jovem que carrega em seu bojo histórico, um sonho de um mundo renovado. Haverá o pessimista que vê nos jovens a apatia, ensimesmamento e falta de rumo. A pandemia impôs a todos muitas incógnitas e medos, mas é possível esperar. Sim! E o Papa Francisco tem repetido em tantas oportunidades: “Não deixemos que nos roubem a esperança!” Juventude é olhar para frente. É broto de vida nova. É esperar com os pés no chão: políticas de incentivo ao estudo e à ciência; abertura de postos de trabalho que permitam aos jovens permanecerem no país; espaços na política, na economia, na Igreja, onde possam colocar em ato as forças renovadoras do tecido social. E quanto mais diversidade, mais riqueza e mais beleza. Como o encanto dos ipês.

Eu-nao-nosNa esteira da primavera e da juventude, celebramos o 107º Dia Mundial do Migrante e do Refugiado, no dia 26 de setembro. Neste ano, o Papa Francisco nos convida a refletir: “Rumo a um ‘nós’ cada vez maior”. Os desafios do mundo em movimento, as incertezas, dores, sofrimentos e mortes, que marcam as trajetórias e os sonhos destes nossos irmãos e irmãs, nos colocam no caminho do encontro como humanidade. Vencendo a tentação da xenofobia e das variadas formas de discriminações, somos convidados a olhar o mundo, inspirados no coração de Deus-Trindade. Comunhão que gera vida. Os humanos – nós – somos “imagem e semelhança deste Deus” – unidade na diversidade do amor. A grandeza do “eu” é a capacidade de abrir-se ao “nós”. Encontro com o outro diferente. A comunhão de raças, culturas, línguas e expressões religiosas revela a beleza da raça humana. O encontro e a hospitalidade engrandecem a humanidade. Ah, os ipês! Seu encanto é ainda mais belo na diversidade das cores e tamanhos. Ao cruzar este tempo de pandemia, renovemos o compromisso de uma humanidade melhor. É um sonho?! Mas é típico do jovem sonhar, buscar, desafiar. Encantar-se com a humanidade. Há um novo florescer. A maravilha dos ipês. Um só já é belo. Juntos são irresistíveis. Viva a beleza da juventude. Por que não dizer isto da humanidade?! “Rumo a um ‘nós’ cada vez maior”!


Dom Adilson Pedro Busin

Bispo auxiliar de Porto Alegre (RS)

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