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A Páscoa no ano em que o mundo parou

DSC 0347Nesta situação tão especial do mundo hodierno, marcado pela pandemia do novo coronavírus, a celebração da Páscoa representa um hálito de esperança, uma força que anima, sentimento que traz paz, no meio das lutas e apreensões dos médicos, das autoridades públicas e de toda a população.

Depois da paixão e morte de Jesus, sobre as quais meditamos e celebramos nos 40 dias da Quaresma e na Semana Santa, de forma on-line, ao chegar a Vigília Pascal pudemos proclamar jubilosos, com as palavras de São Paulo aos Romanos: “Cristo Ressuscitou dos mortos e não morre mais; a morte já não tem poder sobre ele” (Rom 6, 3-11).

O Senhor apareceu ressuscitado várias vezes a seus discípulos e discípulas: comeu com eles, na reunião daquele primeiro domingo, no cenáculo (Lc 24, 36-49; Jo 20, 19-23), se alimentou de peixe, à beira do lago de Genesaré (Jo 21, 1- 13), partiu o pão aos discípulos de Emaús (Lc 24, 13-35) e foi visto em outras ocasiões. É o próprio Mateus, autor do evangelho lido no Sábado Santo, que, por fim, traduzirá a última palavra de Jesus Ressuscitado aos discípulos, após todas as aparições: “Eis que estarei convosco até o fim dos tempos” (Mt 28, 20).

Nós cremos e podemos nos alegrar com a ressurreição do Senhor, pois nela estamos inseridos pelo nosso Batismo, como ouvimos de São Paulo na Carta aos Romanos: “Pelo Batismo, na sua morte, fomos sepultados com Ele, para que, como Cristo ressuscitou dos mortos pela glória do Pai, assim também nós levemos uma vida nova” (Rom 6,4). Isto nos dá a certeza de que, pelo Batismo, não somos apenas purificados de nossos pecados, nem apenas passamos a pertencer à Igreja, mas também, por ele, nos tornamos coparticipantes de Seus sofrimentos e de Sua ressurreição. As três imersões, e três emersões, simbolizadas também no Batismo por intenção, representam esta realidade correspondente à escuridão dos sofrimentos e à invencível luz da vida que ressuscita, pela força de Deus que nos criou e por Seu Filho, que nos salvou.

Alimentados pela Eucaristia e pela Palavra, somos sempre renovados e recobramos nova vida, até que um dia sejamos acolhidos por Ele no banquete da eternidade, onde o perigo, a incerteza, a dor, a tristeza e todas as preocupações desaparecerão para dar lugar à alegria de viver, livres e felizes, para sempre.

Os fiéis que participaram da Semana Santa em suas casas, neste ano de isolamento social, puderam apenas fazer sua comunhão espiritual e foram privados, pelas circunstâncias, de receberem a Sagrada Eucaristia de forma sacramental. Aguardando, avidamente, o momento de irem à igreja para Comungar o Corpo de Cristo, conviverem com os irmãos na comunidade e fazerem a sua Páscoa de forma completa, os cristãos rezaram, dos santuários de seus lares, pedindo o fim da pandemia, a volta à normalidade das relações humanas, porém purificada, renovada, convertida.

Imerso nos sentimentos do Senhor, desejei ardentemente celebrar esta Páscoa em união espiritual, sobretudo com os médicos e médicas, enfermeiros e enfermeiras, e ainda com todos os demais profissionais da saúde. Penso nos funcionários dos laboratórios, nos que fazem a limpeza dos hospitais, nos que cuidam do lixo, nos que transportam enfermos e tantos outros que estão se desdobrando, se dedicando para salvar vidas neste momento pandêmico e, muitas vezes, arriscando as suas próprias em favor da subsistência dos demais. Eles participam, de alguma forma, da força renovadora que vem de Jesus Ressuscitado, para vencer o mal e a morte.

Que de Cristo venham a luz e as graças para que logo se descubra o medicamento certo para o tratamento e a vacina própria para a prevenção. Páscoa é passagem para uma vida nova.

Aos médicos e demais servidores da saúde, dou meu abraço virtual, dizendo-lhes: força e confiança. Também a você, leitor, desejo, de coração, uma feliz e santa Páscoa com os seus familiares. Tenhamos todos saúde, força para o trabalho e paz. Podemos, por ora, juntos proclamar: tudo passará e então nos abraçaremos e, plenamente juntos, celebraremos as alegrias pascais. Aí repetiremos, com mais ardor e cheios de festa: Jesus Ressuscitou! A vida venceu a morte! Fomos salvos para sempre!


Dom Gil Antônio Moreira
Arcebispo Metropolitano de Juiz de Fora

Prezado Dizimista, que a Paz do Cristo Ressuscitado esteja com você!

arte dizimoEm nome da equipe de padres e diáconos da Catedral, do Conselho Pastoral e Administrativo, te desejo muita saúde e alegria que vem de Deus Pai!

Agradeço de coração, pois com sua atitude de generosidade do gesto de partilha do seu Dízimo, muito tem favorecido o caminho de Evangelização da Catedral. Sei que vivemos um momento difícil para todos nós, mas confiamos que essa tempestade vai passar. Diante das necessidades urgentes, que começaram a surgir, venho com humildade te pedir que mantenha a sua fidelidade mensal de colaboração ao Dízimo Paroquial.

Recordo que São Paulo, em 2Cor 8, 1-6, diante das necessidades da Comunidade-Mãe de Jerusalém, promoveu uma coleta em todas as comunidades por ele evangelizadas. Paulo ficou muito emocionado pela generosidade vinda da Macedônia, que, dada a sua pobreza, colaboraram, segundo suas pequenas possibilidades, para alívio e manutenção da Igreja de Jerusalém num período de grande dificuldade para ambas.

Ressalto que mesmo assim, procuramos dar continuidade à vida evangelizadora, litúrgica e missionária. Concluímos a restauração artística que ficou belíssima em seu interior, e o projeto de prevenção e proteção contra incêndio e pânico, exigências do Ministério Público e Corpo de Bombeiros e outras pequenas obras.

Nós padres, temos esforçado para dar testemunho de sobriedade e simplicidade, diminuindo as despesas pessoais e da casa paroquial. Reze também pela nossa equipe da pastoral do Dizimo que tem buscado caminhos de solução. Neste dia 12 de abril domingo da Páscoa do Senhor, com a Catedral fechada, estaremos unidos em orações por você e sua família. Durante a semana você poderá vir pessoalmente à recepção, entregar o seu Dízimo, caso não possa, sugerimos, que faça o depósito ou transferência para nossa conta:

CAIXA ECONÔMICA FEDERAL
MITRA ARQUIDIOCESANA DE JUIZ DE FORA
AGÊNCIA: 3065
CONTA CORRENTE: 121
OPERAÇÃO: 003

Ao Celebrar a Eucaristia, levamos Jesus ao seu lar pela WebTV A Voz Católica, Rádio Catedral FM 102.3, Facebook da Catedral às 12 e 19h. Nesta ocasião, incluímos as suas intenções pela situação de isolamento social necessário, em que todos nós nos encontramos, diante de um grande surto de pandemia viral. Que o Bom Deus te retribua imensamente o seu gesto de carinho e de cuidado para com nossa Paróquia Santo Antônio da Catedral de Juiz de Fora. Receba a minha benção, por intercessão de Santo Antônio nosso querido padroeiro para os seus familiares! Feliz e Santa Páscoa para você e sua família!


Pela Equipe Paroquial:
Pe. Jose de Anchieta Moura Lima
Administrador Paroquial

Sete situações que a grave realidade nos oferece: Ficar, faxinar, pensar, desligar, fortalecer, rezar e acreditar…

1. Há uns cinco anos, conheci um jovem casal, com uma filha, cujo marido e pai, piloto de avião de uma grande companhia aérea, com muitas viagens de trabalho, me disse: “trocaria, com alegria, minhas milhas para ficar mais em casa com a minha família”. Essa fala me impactou profundamente. Pensei: enquanto tantas pessoas buscam acumular milhas, com viagens e compras, para poder viajar mais, encontrei alguém disposto a trocar milhas para não viajar e poder ficar em casa. Hoje, diante da necessária e legítima insistência para o “isolamento social”, me recordei desse fato. Para aqueles e aquelas que, no momento, podem colocar em prática tal recomendação, penso que esse testemunho pode dar um sentido profundo a essa oportunidade “forçada”, que pode se tornar extremamente prazerosa. Quando conseguimos dar sentido às experiências vividas, tudo se torna mais leve e suportável, principalmente as cruzes inerentes à condição humana. É hora de ficar em casa e lembrar também dos nossos irmãos que não têm moradia!


2. Não nos esqueçamos de que estamos no tempo quaresmal, tempo kairótico (de Graça) e Kenótico (de esvaziamento), de revisão de vida e conversão, que o Bom Deus anualmente, nos oferece. Anselm Grün define a Quaresma como “faxina anual do corpo e da alma”. Trata-se, segundo ele, “de purificação, de uma limpeza geral da nossa casa, pensando em tudo o que podemos doar ou jogar fora”. A faxina remete à nossa vida interior que precisa de revisão anual, mensal, semanal e diária. Na faxina, além de se desfazer de tudo aquilo que nos atrapalha, temos, também, a oportunidade de encontrar ou reencontrar fatos e coisas que fizeram parte de nossa vida, foram e são importantes e que ficaram esquecidas pela poeira do tempo. A quaresma é um exercício que nos introduz nessa corajosa aventura de entrarmos em contato com nós mesmos, avaliando como está a nossa relação com Deus, com o próximo, com as coisas e bens. É um itinerário que permite reconhecer e acolher com sinceridade os próprios limites e pedir a Deus a força para superá-los de modo gradativo e constante. O convite para a faxina geral é uma ocasião para reorganizar a nossa casa interior, transformando-a num ambiente saudável, acolhedor, de contentamento e realização. Trata-se de renascer para uma vida nova, mais leve e simplificada. Ambiente “limpo” é ambiente saudável. Saúde interior, espiritual e moral é também saúde física! Conheço uma esposa, mãe e trabalhadora que diz gostar de faxinar a casa, mas infelizmente tem pouco tempo para isso. E o pouco que tem, quando o tem, valoriza grandemente. Eis o tempo favorável! Nada mais gratificante do que uma boa faxina! “Hoje eu vou me visitar. Tomara que eu esteja em casa!” (Karl Valentin)

3. Pensar é a capacidade de admirar-se diante de tudo, espantar-se, ultrapassar e transcender o que se vê, ir além. Nada é óbvio! Se não pensamos, renunciamos ao que é próprio da natureza humana. Trata-se de buscar a verdade das coisas: o que é bom, belo, verdadeiro e justo. Pensar não é tarefa fácil, sobretudo diante das muitas informações que nos chegam quase em tempo real, muitas delas fake news ou desinformação. Quantas vezes repassamos uma informação sem verificar a autenticidade do fato e a autoria. Renunciamos à arte de pensar. Não temos tempo nem para isso. Conheço uma pessoa que, com frequência, diz agradecer a Deus pela insônia, porque assim ela tem mais tempo para pensar no silêncio da noite. Que belo e profundo! Será que queremos dormir logo para não termos tempo para pensar? Pensar dói ou cura? Pensar também é fazer poesia: a arte de ir além da aparência. Nesse sentido, assim se expressa Adélia Prado: “Deus de vez em quando me tira a poesia. Olho para uma pedra e vejo uma pedra”. É certo que a vida não é linear e às vezes experimentamos a aridez e não conseguimos ir além da pedra. Faz parte! A vida é assim mesmo. Contudo, até a aridez pode ser fecunda, para os que têm a coragem de pensar e enfrentar os desertos que a vida apresenta. Agora temos tempo para pensar!

4. Circuit Breaker: desligar o disjuntor. Não conhecia esse mecanismo utilizado pelo Mercado financeiro nas Bolsas de Valores. Trinta minutos podem “acalmar o Mercado” e dar maior serenidade para os investidores que estão sob pressão, evitando assim decisões precipitadas. Desde a primeira vez em que tomei conhecimento dessa expressão, na semana passada, fiz uma aplicação para a nossa vida. Lembrei-me de que quando criança, minha mãe desligava a “chave geral do relógio” de energia, para alguns consertos domésticos. Também quando adolescente, fazia o mesmo. Não havia disjuntor. Hoje temos no quadro de energia disjuntores específicos e o geral. Quando a rede sobrecarrega o disjuntor cai por si… é um mecanismo de segurança… Desligar é preciso… reiniciar também… Quantas vezes, diante de pressões e tensões, nos deixamos levar pelas emoções e não desligamos o disjuntor. No caso humano, é melhor desligar do que deixar cair… pode ser fatal. Pensemos nisso! Reaprender a silenciar antes de reagir.

5. Fortaleza: trata-se de uma virtude cardeal e Dom do Espírito Santo. Estamos na Quaresma, enfrentando, nesse tempo favorável, uma grande e concreta provação planetária, que requer esforço e reflexão pessoais. Entramos no Deserto com Jesus. Portanto, “em frente” com serenidade e “enfrente” com fortaleza e fé em Cristo.

6. Rezar com Santo Agostinho:

“Tarde te amei, ó beleza tão antiga e tão nova, tarde te amei! Eis que estavas dentro e eu, fora. E aí te procurava e lançava-me nada belo ante a beleza que tu criaste. Estavas comigo e eu não contigo. Seguravam-me longe de ti as coisas que não existiriam, se não existissem em ti. Chamaste, clamaste e rompeste minha surdez, brilhaste, resplandeceste e afugentaste minha cegueira. Exalaste perfume e respirei. Agora anelo por ti. Provei-te, e tenho fome e sede. Tocaste-me e ardi por tua paz”.

Com Santa Teresa D’Avila:

“Nada te perturbe, Nada te espante,
Tudo passa, Deus não muda,
A paciência tudo alcança;
Quem a Deus tem, Nada lhe falta:
Só Deus basta. Eleva o pensamento, Ao céu sobe,
Por nada te angusties, Nada te perturbe.
A Jesus Cristo segue, Com grande entrega,
E, venha o que vier, Nada te espante”.

E com o Papa Francisco, Mensagem ao Clero de Roma (27-02-2020), para vencer a amargura, texto perfeitamente aplicável a todos os fiéis cristãos.

“Nós esperávamos que fosse Ele”, confidenciaram os discípulos de Emaús uns aos outros (cf. Lc 24, 21). Uma esperança desiludida está na raiz da sua amargura. Mas devemos refletir: foi o Senhor que nos decepcionou ou trocamos a esperança pelas nossas expectativas? A esperança cristã não desilude e não falha. Ter esperança não é convencer-se de que as coisas vão melhorar, mas que tudo o que acontece faz sentido à luz da Páscoa. Mas para esperar de maneira cristã, é necessário viver uma vida de oração substanciosa. É assim que se aprende a distinguir entre expectativas e esperanças. Agora, o relacionamento com Deus — mais do que decepções pastorais — pode ser uma causa profunda de amargura. Às vezes, quase parece que Ele não corresponde às expectativas de uma vida plena e abundante que tivemos… Às vezes, uma adolescência inacabada não te ajuda a passar dos sonhos para a spes (esperanças) Talvez… sejamos demasiado “bonzinhos” na nossa relação com Deus e não ousamos protestar na oração, como o salmista faz muitas vezes — não só por nós, mas também pelo nosso povo; porque o pastor também carrega as amarguras do seu povo — mas os salmos também foram “censurados” e quase nunca fazemos nossa uma espiritualidade de protesto. Então caímos no cinismo: infelizes e um pouco frustrados. O verdadeiro protesto — do adulto — não é contra Deus, mas diante dele, porque nasce precisamente da confiança n’Ele: o orante recorda ao Pai quem Ele é e o que é digno do Seu nome. Devemos santificar o seu nome, mas às vezes os discípulos têm de acordar o Senhor e dizer-lhe: “não te importas que pereçamos?” (Mc 4, 35-41). Então, o Senhor quer envolver-nos diretamente no Seu reino. Não como espectadores, mas participando ativamente. Qual é a diferença entre a expectativa e a esperança? A expectativa nasce quando passamos a vida a salvar a nossa vida: andamos atarefados à procura de segurança, recompensas, promoções… Quando recebemos o que queremos, quase sentimos que nunca morreremos, que será sempre assim! Porque o ponto de referência somos nós. Ao contrário, a esperança é algo que nasce no coração, quando decidimos deixar de nos defender. Quando reconheço as minhas limitações, e que nem tudo começa e nem acaba comigo, então reconheço a importância de ter confiança”.

7. Concluo com uma pérola, que encontrei na Exortação Apostólica Pós-Sinodal “Querida Amazônia”: “Com efeito, onde houver uma necessidade peculiar, Ele (o Espírito Santo) já infundiu carismas que permitam dar-lhe resposta”. Portanto, peçamos ao Espírito Criador, Consolador e Defensor que venha em nosso auxílio, dando-nos discernimento para encontrar, em meio à pandemia do Coronavirus, caminhos de serenidade, contribuição, ajuda, fortaleza e esperança. À luz da fé cristã, sabemos que todo bem, sabedoria e conhecimento vêm de Deus. Portanto, rezemos para que os pesquisadores e cientistas encontrem medicamentos e vacinas capazes de curar e prevenir… rezemos pelos médicos e profissionais de saúde que se colocam a serviço da vida… rezemos pelos governantes e autoridades sanitárias para que inspirados pelo Espirito Santo ofereçam eficientes respostas… rezemos por nós, pelos nossos e por todos e todas, especialmente os mais vulneráveis, pobres e desassistidos. Vem Espírito Santo vem, vem iluminar!

Senhor Jesus, pela vossa Dolorosa Paixão, tende misericórdia de nós e do mundo inteiro!

Unidos nas orações e solidariedade fraterna que nos fazem próximos, apesar da “distância”, pedindo a intercessão de Nossa Senhora da Saúde, de São Camilo e São José, que hoje celebramos, Patrono universal da Igreja e das famílias, suplicamos, com humildade e gratidão, a Bênção do Bom Deus a cada um, a cada uma, e a toda a família humana.

Em frente com serenidade! Enfrente com coragem e fé!

Dom Luiz Antonio Lopes Ricci
bispo auxiliar de Niterói (RJ)

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