chamada blog

Feliz Natal

Nativity-Baby-Jesus-Christmas-2008-christmas-2806967-1000-558Natal é festa do encontro de Deus com a humanidade, entre o céu e a terra. É Deus que se faz homem e entra na história para torná-la história da salvação. Natal é o amor de Deus-Pai, que entrega seu próprio Filho para ser nosso irmão e companheiro inseparável de nossa caminhada, para que nossa peregrinação seja marcada pela alegria de pessoas que se inspirem em mensagens de salvação que o próprio Deus nos oferece.

É bom ter Deus-conosco, Emanuel, saber que Ele vive conosco, nos acompanha, nos anima, nos consola, nos fortalece, nos educa para os valores, que por si já são a realização do ser humano. Um ser cheio de Deus neste mundo para possuir Deus em plenitude na felicidade da pátria celeste.

Natal: um Deus em forma de criança! Um Deus com jeito de pobre e migrante! Um Deus que assume as vicissitudes humanas, como para dizer que assume toda a nossa vida, em sua riqueza e limitações, exceto o pecado. Um Deus que faz como um de nós. Isso é consolador. Isso é revelar que Deus está tão perto de nós. O Natal não deve ser apenas uma data. O Natal deve ser uma mensagem permanente do grande amor que Deus tem por nós.

Na festa de Natal há uma só linguagem: A linguagem do amor. É a linguagem do amor infinito de um Deus que se chama Jesus Cristo. Um Deus em forma humana, que entra em nossa história para fazê-la história de salvação. Um Deus-irmão que quer gerar fraternidade, para que todos sejam irmãos e irmãs, vencendo o desequilíbrio do pecado e da morte. A festa do Natal é mensagem viva de amor, de fraternidade, de paz, de alegria, e de salvação. Celebrar o
Natal é celebrar a vida. Se todo nascimento é vida e alegria, muito mais o Natal daquele que veio trazer vida e vida em abundância.

Feliz e abençoado Natal para todos!


Mons. Luiz Carlos de Paula
Pároco da Catedral

Maria, A Virgem de Nazaré, Mulher Orante (Parte 1)

Anunciação
O livro dos Atos do Apóstolos diz que os primeiros cristãos, depois que o Senhor subiu para o céu, permaneciam unidos e não deixavam nunca de rezar. Com eles estava Maria, a Mãe do Senhor: “Todos perseveravam na oração em comum, junto com algumas mulheres, entre elas, Maria, a mãe de Jesus e com os parentes dele” (At 1, 14). Mais adiante, relata o mesmo livro bíblico que os discípulos estavam reunidos no mesmo lugar quando desceu sobre eles o Espírito Santo (cf At 2, 12).

Vemos que, para a vinda do Espírito Santo, o ambiente propício estava preparado. Na abertura para Deus o Espírito se manifesta. A vida de oração era um legado preciosíssimo que os apóstolos herdaram de Jesus. Certo dia, eles mesmos pediram ao Senhor: “Ensina-nos a rezar” (Lc 11, 1). Deus já havia colocado no coração do povo judeu aguçado espírito de oração. Foi este povo que o pai escolheu para enviar seu Filho à humanidade. E foi através de Maria, íntegra na observância dos princípios da fé de Abraão, que se realizou a encarnação do Verbo. “E o Verbo se fez carne e habitou entre nós” (Jo 1, 14). Comtemplemos Abraão, Moisés, todos os patriarcas, reis e profetas. Todos são inspiradores de oração, mostrando que sem esta prática é impossível estar em sintonia com Deus.

Maria, mulher hebreia de convicções plenas, filha de Joaquim e Ana, família observadora das Leis sagradas, tinha em sua alma a predileção pelas coisas do alto. Como toda mulher de Israel, começa seu dia bendizendo a Deus com a “Beraká”: “Bendito sejais, Vós, Senhor que me criastes segundo a vossa vontade”. Como todo hebreu fiel, tinha à sua disposição a pequena sinagoga de Nazaré, onde podia ir todos os dias ouvir a “Shemá Israel” (Escuta Israel) (Dt 6), lida em voz alta por algum Rabino que explicava o sentido da Palavra de Deus. Aberta ao alto, como sempre acontecia com jovens amorosos de Javé, aprendiam de cor salmos, cânticos e outros trechos da Torá, ou seja, o conjunto dos primeiros 5 livros da Bíblia Sagrada. Assim é que entendemos que, ao ser anunciada pelo Arcanjo Gabriel, ela saiu apressadamente para encontrar sua prima Isabel, que residia sobre o monte Arim Karem, nos arredores de Jerusalém, há cerca de 100 km de Nazaré. Foi lá que, no diálogo com outra mulher orante, já idosa, esposa de Zacarias, que Maria cantou o seu Magnificat com termos muito parecidos com o cântico de Ana, presente no livro mais antigo das Escrituras, 1º livro de Samuel (Sam 2, 1 ss).

Antes disso, contudo, como costume de toda família judaica, Joaquim e Ana a levavam a Jerusalém três vezes ao ano, para visitar o único templo dos israelitas que se localizava em Jerusalém, a cidade da Paz, a capital religiosa do povo de Israel, e celebrar os grandes feitos do Senhor. Iam para a festa das cabanas, conhecida como “Sukkot”, no início do ano hebraico, chamado “Rosh Hashaná”. As cabanas representavam as tendas do deserto quando o povo estava em marcha para a Terra Prometida, sob a liderança de Moisés que o tirou da escravidão do Egito.

Nas festas de Pentecostes, as mulheres se reuniam no ‘pátio das mulheres’ e podiam oferecer aos sacerdotes as primícias de suas colheitas. Iam, por fim, para a grande festa da Peshà, a Páscoa, com a qual celebravam o principal fato de sua história que foi a libertação total da escravidão no Egito e a entrada na Terra Prometida.

As informações sobre a vida cotidiana da família de Nazaré podem ser encontradas, com muita beleza, no precioso livro “Maria, Mãe da Humanidade”, de autoria de Frei Bruno Varriano – OFM, frade brasileiro que vive hoje em Nazaré, como guardião e reitor da Basílica da Anunciação, da Custódia da Terra Santa.

Prosseguiremos semana que vem com estas reflexões.

Dom Gil Antônio Moreira
Arcebispo Metropolitano de Juiz de Fora

Pobres sempre os tereis entre vós

Pobres-sempre-os-tereis-entre-vósFaz dois anos que o Papa Francisco criou o DIA MUNDIAL DOS POBRES. Deve ser celebrado todos os anos na Igreja, no Domingo que precede o final do calendário litúrgico que se dá quase sempre no final de novembro. A decisão é justa, pois vivemos num mundo em que as desigualdades sociais clamam por solução.

Certamente há diferenças inofensivas entre nós. Raças diferentes, cores diferentes, línguas diferentes, origens diferentes, opções diferentes, humores diferentes, dons diferentes e tantas outras dessemelhanças formam o poliedro natural da raça humana. Buscar a igualdade em tudo é tarefa inútil e desnecessária. Que mal há em nascerem diferentes as etnias humanas?

Porém, quando se entra no campo social as coisas se complicam, pois comparecem os critérios éticos e morais, onde a questão não é apenas a realidade das origens e condições físicas, mas a dignidade humana e as opções individuais egotistas.

Na verdade, as diferenças naturais não colocam em risco os direitos de cada um. Mas as criadas pelas pessoas humanas, quando fruto do pecado, são danosas; o pecado gera seus descendentes injustos. A ganância, a luxúria, a inveja e todos os vícios capitais são filhos do grande pecado que é o egoísmo, condição oposta ao amor ao próximo. Surgem então as diferenças negativas. Uma delas é a questão da gritante distância entre os que detêm riquezas fabulosas e pobres que não têm o que comer.

Aqui é preciso prevenir: nem toda riqueza é fruto do pecado e nem toda pobreza é resultado das injustiças sociais. A propriedade adquirida por meios honestos, lícitos e procedente do esforço de gente que, pelo trabalho, progride, é justa, garante a Doutrina Social da Igreja. Mas é pecado ser rico quando o acúmulo de bens materiais nasce da corrupção, da ganância, do ter pelo ter, do grande engano de colocar o lucro pessoal ou do grupo ou do partido político acima das condições humanas de vida a que todos têm direitos iguais. Ninguém foi criado para morrer de fome ou para viver doente sem condições de tratamento. Ninguém foi criado para sofrer sem moradia, escola, segurança, trabalho. Essas diferenças devem ser vencidas, pois não são naturais e nem benéficas. Mas como? Com que meio?

Eis a crucialidade da questão. Quando Jesus afirma que “pobres sempre os tereis entre vós“, certamente não se referiu à inércia diante da injustiça social que faz alguns terem total condições de acesso aos mencionados meios e outros padecerem condições inóspitas com desnecessários e cruéis sacrifícios.

Onde está a solução? Certamente a primeira responsabilidade cabe ao Estado, que tem o dever de encontrar meios para garantir a todos vida digna e acesso igual aos meios para isso. Mas também cabe à opção de cada pessoa.

A palavra de Cristo sobre a existência contínua de pobres entre nós pode significar que será inevitável haver alguma diferença entre a raça humana, não fruto do pecado social, mas da condição natural, pois Deus proporcionou dons diferentes para cada um de seus filhos. Um terá mais aptidão para certos trabalhos, outra mais facilidade natural para solução de problemas, não causando isso rivalidade e opressão. Esta distinção se esclarece quando pensamos: nem todos são músicos, alguns são gênios na arte das artes, mas isso não humilha e nem causa problemas para quem não tem estes dons. Pelo contrário, ao ouvir peças de Bach, Vivaldi, Divòrack, Vila Lobos, Vinicius ou Pixinguinha, ninguém se irrita por não ter seus carismas geniais, mas agradece por eles terem existido. A minha pobreza de não ser como eles não é má.

No campo dos bens materiais, porém, as coisas não são tão simples. Se por um lado sempre haverá certas diferenças não pecaminosas na posse de bens materiais, a palavra de Cristo vai a campo mais profundo. Padre Kongings-sj, admirável no conhecimento bíblico e na exegese dos textos, explica que o termo usado por Jesus não nos leva ao conformismo pecaminoso, mas indica que o melhor é que não houvesse pobreza para ninguém, mas em havendo, a pessoa humana não seja injusta e não deixe de esforçar-se para que as diferenças diminuam e se chegue a um ponto onde não falte nada a ninguém para viver com dignidade. De fato, após a ressurreição de Cristo, sua ascensão e sua ausência física, os “cristãos tinham tudo em comum, e entre eles não havia indigentes” (cf Atos dos Apóstolos 4, 34-36).

Na abertura da Conferência de Puebla, em 1979, o Papa São João Paulo II afirmou: “Sob toda propriedade particular, pesa uma hipoteca social”. Isso significa que a Igreja não condena a propriedade privada, mas ensina que todo prioritário tem que ter a consciência de que o que temos não pertence inteiramente a nós, mas também àqueles que nada tem ou que tenham o insuficiente para viver.

Eis aí tarefa para todos na família, na escola ou em qualquer outro lugar: educar para a solidariedade, o altruísmo, a partilha e amor a Deus e ao próximo.


Dom Gil Antônio Moreira
Arcebispo Metropolitano de Juiz de Fora

Arquivos

Tags

  1. Facebook
  2. Twitter
  3. Instagram
  4. Video