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Maio, o Mês Mariano

maio mes de mariaMaio é dedicado na Igreja como o mês Mariano, um tempo dedicado à Nossa Senhora tendo algumas festas marcantes — no dia 13 de maio celebramos o dia de Nossa Senhora de Fátima e, no dia 24 do mesmo mês, celebramos Nossa Senhora Auxiliadora. Dessa forma, pedimos nesse mês de maio a proteção de Maria para cada um de nós e para nossa família.

Durante o mês de maio, somos convidados a intensificar as nossas orações à Nossa Senhora, como a reza do terço todos os dias, meditação da Palavra de Deus, além da participação na celebração Eucarística. Aqui em nosso Regional Leste 1 (Estado do Rio de Janeiro) temos o Rosário pela paz rezado cada dia de uma das Dioceses do Estado. É a nossa intercessão pela paz no mundo e em nossas cidades. As paróquias também podem promover durante esse mês, antes das celebrações da missa ou em outro horário, a reza do terço para que possamos, diante dos mistérios do rosário, contemplar a vida de Cristo e de Maria. Através da oração do rosário, oferecemos “rosas” à Nossa Senhora e agradecemos à Ela por tantos bens que nos concede.

Normalmente, no último dia do mês ou no último domingo do mês, ocorre a coroação de Nossa Senhora em nossas comunidades, venerando Nossa Senhora Rainha. Ela é considerada a Rainha do céu e da Terra e intercede por nós junto a Deus. É nossa advogada junto de Deus e não quer ver nenhum de seus filhos se perder. Nossa Senhora recebe vários títulos onde aparece, mas é a mesma Mãe de Jesus. Em maio, recordamos dois títulos de Nossa Senhora, mas durante o ano, recordamos muitos outros.

No segundo domingo do mês de maio recordamos, também, o Dia das Mães. É um momento para agradecermos a Deus por todas as mães e, em especial, por nossas mães. Lembramos de Nossa Senhora, que Ela é um exemplo de mãe para todas as mães e é a mãe de todos nós. Da mesma forma que oferecemos “rosas” à Nossa Senhora, que possamos oferecer para as nossas mães também. Rezemos um terço e participemos da celebração eucarística nesse dia, junto com nossas mães. Antes de dar algum presente para as nossas mães, estejamos junto com elas nesse dia. O maior presente para elas nesse dia é a nossa presença. Se já faleceu, reze a Deus pedindo que junto de Nossa Senhora ela interceda por você.

Por isso, temos muitos motivos para celebrar e nos alegrar durante esse mês de maio, pedindo a proteção de Nossa Senhora. Reserve um tempo do seu dia caso não possa ir até a Igreja para rezar o terço. Pode ser à noite ou pela manhã, no carro ou ônibus, indo ou voltando do trabalho. Nos alegremos e peçamos a proteção de Nossa Senhora para cada um de nós.

Durante esse mês, somos convidados a olhar com sabedoria e fé para figura da mulher humilde escolhida por Deus que, com o seu “sim”, transformou a história da humanidade. Graças ao “sim” de Nossa Senhora, nasceu o nosso salvador Jesus Cristo e Ela se tornou para a humanidade o exemplo e modelo de mãe e esposa. Que os filhos e esposos respeitem as suas mães e esposas e que, a exemplo da Sagrada Família de Nazaré, possam ser felizes.

Peçamos durante esse mês Mariano que todas as mulheres sejam respeitadas em sua dignidade, que tenha menos violência contra as mulheres e que elas tenham mais oportunidade de emprego e o respeito devido na sociedade. Que os filhos respeitem suas mães, que lhes deram a vida, e que possam amá-las e respeitá-las de verdade.

Em Maria, os fiéis encontram refúgio e a doçura de uma boa mãe, que atende os seus filhos em suas necessidades e, assim como nas bodas de Caná da Galileia, leva os pedidos até Jesus e pede que Ele atenda. Por isso, o mês de maio é especial para a reza do terço, orações e louvores à Nossa Senhora. É um mês, sobretudo, para se alcançar as graças que queremos.

A tradição de ter um mês dedicado à Maria surgiu por volta do século XII. Era preciso pedir a proteção da Mãe Maria pelas necessidades da Igreja de seu filho. Até por isso, Nossa Senhora é conhecida como a Mãe da Igreja porque ela intercede constantemente pelas necessidades da Igreja de seu filho. A devoção Mariana teve origem no Brasil no período da colonização, com a evangelização promovida pelos padres Jesuítas que, aos poucos, foi ganhando força até como conhecemos hoje.

Celebremos com fé e piedade este mês Mariano, pedindo a intercessão de Nossa Senhora por cada um de nós e de modo especial por nossas mães. Que Nossa Senhora abençoe também aquelas que desejam ser mães ou aquelas que estão grávidas, para que possam ser mães amorosas a exemplo de Maria. Façamos o esforço de rezarmos o terço durante esse mês, participando das celebrações eucarísticas, sempre pedindo a intercessão de Nossa Senhora.

Podemos, ainda, separar um lugar especial para Nossa Senhora em nossa casa durante esse mês. Colocar a imagem de Nossa Senhora que você tiver em sua casa em destaque, com um terço e uma vela juntos e sempre rezar diante dessa imagem, pedindo paz e proteção. Ela é a mãe de todos nós e vai abençoar todos que entrarem e saírem de nossa casa.

Nas comunidades paroquiais, também, podemos colocar a imagem de Nossa Senhora em destaque e, durante o mês, rezar diante dessa imagem, colocando junto um arranjo de flor e velas. Ao final do mês, coroar essa imagem de Nossa Senhora e guardá-la num lugar especial.

Que Nossa Senhora de Fátima nos proteja e Nossa Senhora Auxiliadora nos auxilie em nossas decisões. Que Nossa Senhora reine em nossas casas e em nossas vidas. Que, do céu, Ela derrame muitas graças sobre todos nós.


Cardeal Orani João Tempesta
Arcebispo do Rio de Janeiro (RJ)

O MISSIONÁRIO AMA A JESUS E DÁ TESTEMUNHO DO AMOR DIVINO!

fd316c3da54bbfa5a1dd47a758e056cbA liturgia deste 3º Domingo do Tempo Pascal recorda-nos que a comunidade cristã tem por missão testemunhar e concretizar o projeto libertador que Jesus iniciou; e que Jesus, vivo e ressuscitado, acompanhará sempre a sua Igreja em missão, vivificando-a com a sua presença e orientando-a com a sua Palavra.

A primeira leitura (At 5,27b-32.40b-41) apresenta-nos o testemunho que a comunidade de Jerusalém dá de Jesus ressuscitado. Embora o mundo se oponha ao projeto libertador de Jesus testemunhado pelos discípulos, o cristão deve antes obedecer a Deus do que aos homens. Os apóstolos, mesmos proibidos, continuam a pregar a doutrina do Mestre. Ao serem açoitados e perseguidos, reconhecem estar no caminho certo, desafiando as autoridades opressoras, que mataram o Mestre da Galiléia.

A segunda leitura(Ap 5,11-14) apresenta Jesus, o “cordeiro” imolado que venceu a morte e que trouxe aos homens a libertação definitiva; em contexto litúrgico, o autor põe a criação inteira a manifestar diante do “cordeiro” vitorioso a sua alegria e o seu louvor. Esta leitura contempla a multidão dos seres vivos e anciãos que proclamam os atributos do Cordeiro, imagem muito comum no Apocalipse para se referir a Jesus crucificado e ressuscitado. Ele é a cabeça da humanidade e o Senhor da História, aquele que guia o rebanho.

O Evangelho(Jo 21,1-19) apresenta os discípulos em missão, continuando o projeto libertador de Jesus; mas avisa que a ação dos discípulos só será coroada de êxito se eles souberem reconhecer o Ressuscitado junto deles e se deixarem guiar pela sua Palavra. Pesca e Pedro. Missão e Pastor. Jesus Ressuscitado se manifesta pela terceira vez em contexto eucarístico, com colorido missionário e vocacional. O Evangelho se abre com os discípulos de Jesus na barca, em sua atividade missionária no “mar do mundo”. A aparição se dá a sete discípulos, a totalidade da comunidade-discípula, exercendo sua tarefa em meio à totalidade dos povos. Quando surge a luz do dia, Jesus aparece. Brilhou a luz da Ressurreição sobre a comunidade. Sob a ordem de Jesus, os discípulos lançam a rede. Obedecendo, sem saber que era Jesus, percebem a maravilha da nova pescaria. A barca e a rede, sinais da unidade da Igreja, não se afundam nem se rompem. Com Jesus Ressuscitado, presente e seguindo sua ordem, a missão será sempre bem-sucedida. Depois de comerem a refeição eucarística, Pedro é reabilitado como Apóstolo e confirmado como Pastor. Simao, filho de João, antes conduzido a Jesus para que se tornasse Pedro (Jo 1,42), além disso se torna agora Cefas – Pedra. Confessa três vezes sua amizade e seu amor ao senhor, é feito Pastor e chamado a seguir a Jesus, Pastor Eterno, até à morte. Depois de longo itinerário, Simão está pronto! Em todo Evangelho de João, somente aqui, Jesus se dirige a Pedro, dizendo: “Segue-me”. Pedro converteu-se, endireitou-se, encontrou-se consigo mesmo, amou, seguiu e testemunhou Jesus até o derramamento de seu sangue. Hoje, se Pedro é Francisco, nós todos somos Simão, filho de João. Sejamos revestidos do Ressuscitados e zelosos na missão!

A Igreja terá sucesso na missão se se deixar conduzir pelas palavras do Ressuscitado. Jesus os convida a saborear um gostoso peixe, fruto da pesca abundante que realizaram. No segundo momento, o Evangelho narra a vocação de Pedro para ser guia da comunidade. Para seguir Jesus devemos amá-lo. Por isso Jesus insiste com Pedro para saber se ele o amava. Sem amar o Mestre, não conseguiremos ser fiéis nem a Ele e nem à missão. O amor é o que dá sentido à nova vida e nos impulsiona à missão!

O missionário ama a Jesus e dá testemunho do amor divino! Continuemos doando a nossa vida por amor a Cristo e que sejamos missionários que ajudemos a saciar a fome da humanidade, o que celebramos em cada Eucaristia. Jesus – ainda hoje – continua nos interrogando: Vocês me amam? Amamos Jesus à medida que amamos nossos irmãos e irmãs, especialmente, os mais fragilizados e esquecidos.


Dom Eurico dos Santos Veloso
Arcebispo Emérito de Juiz de Fora (MG)

O Amor é mais forte que a morte

maria madalenaLogo de manhã Maria Madalena correu até o túmulo e foi verificar a situação de Jesus (Jo 20,1). Aquele mesmo, que pouco antes tinha sido crucificado.

A morte, como na maioria dos casos, deveria ser a palavra final. Depois da morte sobra somente a possibilidade de chorar, sentir saudades e se acalentar no ombro dos que ainda vivem.

A morte é um termo definitivo da existência e dos afetos. Diante dela a fé sente um titubear que vai progredindo até produzir um estado de êxtase e de acomodação.

A fé de Madalena confronta-se com as experiências, ainda sem exceção, que da morte ninguém volta. Os discípulos foram para casa. Estavam apavorados. Este pavor nascia da perplexidade de uma promessa não cumprida, de uma palavra falida ante o inimigo comum da humanidade.

Na fé os discípulos viveram no seguimento do seu Senhor. Também, na fé, deixaram suas casas e seguiram Àquele que nem tinha onde repousar a cabeça. A fé, portanto, era a marca existencial daquela comunidade.

A cena do dia anterior, entretanto, culminava no contraste mais forte que media a dimensão da fé e a ultrapassava infinitamente. Por isso, no amanhecer daquele dia os discípulos estavam dormindo.

Dormir é um modo de acalentar o fulgor da esperança. A esperança insiste em continuar acreditando contra as observações comuns. Quando se trata de alguém que amamos a esperança chega a beirar o abissal, desafia o que é meramente natural, como morrer, e aprofunda raízes em terrenos pouco consistentes.

Dormir representa, portanto, é uma luta para não esperar mais nada.

Logo de manhã Maria Madalena correu até o sepulcro. Ninguém sabia. Ninguém viu nem foi notificado desta proeza.

O sair de Maria Madalena foi sutil, e deslizou por entre a descrença que se instaurara entre os discípulos e foi até o sepulcro.

Do ponto de vista da sanidade esta sutileza é perfeitamente normal. É como um sonhador que aprende a se controlar e a negar as suas visões, muito embora elas lhe apareçam de contínuo e apareçam perfeitamente reais.

O amor, entretanto, não quer saber de nada disso. Não toma conhecimento de nenhum limite! Mergulha na vastidão que ninguém mais vê.

Logo cedo Maria Madalena chegou ao sepulcro, mas ele estava vazio. Doravante as coisas se complicaram. Muitas questões surgiram porque o sepulcro estava vazio.

No passado outras questões tinham sido colocadas. Uma vez os discípulos começaram a discutir quem era o maior no reino dos céus. Se Jesus não tivesse feito sua intervenção esta dificuldade teria consumido a Igreja nascente e destruído totalmente o sonho de um mundo novo.

A palavra do Senhor foi conclusiva: o maior no reino dos céus é o menor entre vós. Desde aquele a dia este discurso tornou se preponderante, mesmo quando desentoa da prática.

Em outra ocasião discutiam se era lícito ou não ao homem abandonar sua mulher. Esta outra confusão teria produzido uma injustiça infinita contra as mulheres, gerando a descrédito total da Igreja à medida que a consciência e o espírito de liberdade crescessem no mundo. Mas o Mestre ainda estava presente, legislou contra qualquer tentativa de se prolongar esta injustiça. Simão Pedro exclamou no final: então a que vale casar-se.

Os assuntos decididos formaram o projeto salvífico da Igreja, mas outras questões se abririam compulsoriamente quando da morte de Jesus.

Se ainda na presença de Jesus era difícil acreditar em algumas revelações, imagina-se a dificuldade que nasceriam das interpretações posteriores. Outra vez, um jovem foi encontrar-se com Jesus e os discípulos e manifestou sua vontade de também se fazer discípulo. Tudo indica que era um jovem bom, tinha fé e era sincero. Após um pequeno diálogo Jesus decidiu que ele deveria vender os seus bens, distribuir entre os pobres e segui-lo. O jovem esmoreceu-se e foi embora.

A questão seguinte alargou-se ainda mais quando Jesus observou que era difícil um rico entrar no reino do céu. Os discípulos perguntaram, então: quem poderá se salvar? Mais uma vez Jesus resolveu facilmente a dificuldade dizendo: para os homens é impossível, mas para Deus não.

Tudo isso acontecia e encontrava respostas imediatas em uma palavra que não poderia ser contestada, porque estava na origem, era a gênese de uma nova proposta, era normativa e ao mesmo tempo concreta.

Jesus era a norma vivente. Mas naquele dia de manhã não estava mais lá. Quando Maria Madalena chegou, como mulher cujo amor havia suspeitado da morte, não encontrou ninguém. O túmulo estava vazio.

O amor foi a ultima coisa que tinha restado. A fé desaparecera, mas o amor continuava operante e chegou antes de qualquer um dos discípulos.

Importante que tenha sido uma mulher a chegar primeiro. Como toda mulher, Madalena tinha superado a descrença sem buscar nada para si. Somente o amor lhe era suficiente. Por isso chegou primeiro.

Amando como fez, não buscou nenhuma explicação. Não tentou justificar nada nem compreender com passagens desgastantes o que o amor a tinha revelado.

Voltou correndo e foi contar a Pedro e João o que tinha visto: retiraram o senhor do sepulcro e não sabemos onde o colocaram!

É verdade o que Madalena fala. O sepulcro está vazio e a esperança renasce em seu coração. Por fim pensa ela, e nós testemunhamos no decorrer do tempo, o amor venceu porque é mais forte que a morte!


Dom Lindomar Rocha Mota
Bispo de São Luís de Montes Belos (GO)

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