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Rússia e Ucrânia

shutterstock 1011237385-1000x450Não existe onde buscar verdadeiras justificativas que dão direito a qualquer autoridade de realizar uma guerra brutal e letal nas dimensões do que vem acontecendo no oriente. A insensibilidade diante da destruição de vidas, de histórias, de projetos, torna-se inconcebível numa cultura universal de progresso, com capacidade de diálogo e negociação. A missão do governo é defender a paz.

É preciso olhar para a cena da travessia do Povo de Deus nas águas do Mar Vermelho, fugindo das atrocidades e autoritarismo praticados pelos Faraós do Egito. O mesmo acontece hoje com o povo da Ucrânia, realizando essa fuga em massa para outros países. As consequências são sempre desastrosas, como a tropa dos Faraós, perdendo carros, cavalos, tropas e homens corajosos (cf. Is 43,17).

Às vezes é preciso perder para ganhar. O Apóstolo Paulo já dizia que preferiu perder tudo para ganhar Cristo. O autoritário nunca admite perder alguma coisa. Pelo contrário, ele quer estar sempre ganhando mais, acumulando desnecessariamente, mesmo sabendo do flagelo humanitário de uma guerra. Como os países dependem uns dos outros, o mundo todo vai ter que pagar caro por essa guerra.

Quem tem quer ter sempre mais, mesmo que custe a vida do outro. A pujança do território russo, de seu desenvolvimento no setor econômico e tecnológico não satisfazem o ego autoritário desse governo. É a política da destruição do outro e de si mesmo, ficando isolado das grandes economias do mundo. As sanções provocadas podem inviabilizar a grandeza da Nação russa, prejudicando a todos.

Há um versículo bíblico que diz assim: “quem julga estar de pé tome cuidado para não cair” (I Cor 10,12). Diz o ditado popular: “Quem muito quer acaba não tendo nada”. O grande perigo é a autodestruição, porque todos estamos no campo das imperfeições e na incapacidade para o domínio total. A única e mais saudável saída é a partilha, a valorização do que é próprio e do que é do outro.

O espírito de guerra pode estar presente na vida de todos nós. Alguns homens apresentaram a Jesus uma mulher adúltera com a intenção de que Ele a condenasse à morte, mas a maldade maior estava neles próprios e não na mulher, porque a fizeram cair em adultério. Jesus agiu com sabedoria dizendo para jogar a primeira pedra quem não tivesse pecado. Todos foram embora (Jo 8,4ss).


Dom Paulo Mendes Peixoto
Arcebispo de Uberaba (MG)

Ensina com amor

Cartaz-2022Na quaresma, a Igreja católica promove a Campanha da Fraternidade propondo a conversão pessoal e social de uma realidade marcada pelo pecado, nas suas expressões de injustiças, omissões e opressões, para uma sociedade fraterna. Em 2022 reflete-se sobre a educação, na certeza de que ela é indispensável para a construção de um mundo mais justo e fraterno. A realidade da educação no Brasil, especialmente marcada pelo flagelo da pandemia da COVID-19, exige uma mudança de mentalidade, reorientação da vida, revisão das atitudes e busca de um caminho que promova o desenvolvimento pessoal integral, a formação para a vida fraterna e para a cidadania.

Esta é a terceira vez que a CNBB aborda essa temática na Campanha da Fraternidade, agora, incentivada pelo Pacto Educativo Global proposto pelo Papa Francisco. Este, visa uma educação humanizada que contribua na formação de pessoas abertas, integradas e interligadas, que sejam capazes de se preocupar, também, por difundir um novo modelo relativo ao ser humano, à vida, à sociedade e à relação com a natureza. Urge reaprender a amar, a perdoar, a cuidar, a curar, a dialogar e a servir a todos. Essa conversão para a fraternidade somente será possível à medida em que Cristo, que nos liberta do egoísmo, for tudo em todos (1Cor 15,22).

O número 22 do texto-base da Campanha da Fraternidade expressa essa relação entre Cristo e a educação que se propõe neste momento de crise: “Educação não é condicionamento ou adestramento. É conduzir e acompanhar a pessoa para sair do não saber, rumo à consciência de si mesma e do mundo em que vive. É tornar a pessoa consciente, para que se torne sempre mais sujeito de seus sentimentos, pensamentos e ações. Isso vale tanto para crianças como para adultos, uma vez que a própria vida se encarrega de nos trazer oportunidades de aprendizagem em qualquer etapa. Uma pessoa se torna sujeito na medida em que pode dialogar com outras, percebendo que é levada a sério, que é escutada e amada”.

Enfim, a Campanha da Fraternidade destaca dois aspectos fundamentais: o valor da pessoa como princípio da educação e o sentido do ato de correção, que é conduzir ao caminho reto. Não é repressão, mas é orientar a pessoa no caminho de uma vida transformada, verdadeiramente convertida à luz da verdade. Essa consciência de que há uma emergência educativa em nosso mundo, e especialmente no Brasil, reflete bem o que escreveu o Papa Francisco na Laudato Sí, apelando para uma conversão de vida: “a educação será ineficaz e os seus esforços estéreis, se não se preocupar também por difundir um novo modelo relativo ao ser humano, à vida, à sociedade e à relação com a natureza» (n. 215).

A Campanha da Fraternidade 2022 expressa o empenho por uma educação humanizadora capaz de ensinar com amor, como preconizou Hannah Arendt: “a educação é o momento que decide se nós amamos suficientemente o mundo para assumir a responsabilidade e assim salvá-lo da ruína, que é inevitável sem a renovação, sem a chegada de novos seres, de jovens”.


Dom Leomar Antônio Brustolin
Arcebispo de Santa Maria (RS)

Rumo ao Centenário Diocesano

vitral sto antonioIniciamos, no último dia 1º de fevereiro, durante Santa Missa na Catedral Metropolitana, o segundo ano preparatório para a celebração dos cem anos da nossa Diocese. Se Deus quiser, no dia 1º de fevereiro de 2024, nós estaremos celebrando esta grande festa de ação de graças.

No ano passado nós fomos guiados e inspirados pela figura de São José, porque era Ano Josefino instituído pelo Papa Francisco, e nós tivemos oportunidades de fazer muitas lives, encontros, reflexões, celebrações, sempre olhando a figura do pai legal de Jesus como um mediador, como um símbolo do amor de Deus para conosco, para com a humanidade. Nós descobrimos em São José uma fé extraordinária. Nós não temos nenhuma palavra dele na Bíblia, mas a sua pessoa e tudo aquilo que a Bíblia diz a seu respeito são uma pregação eloquente.

No momento em que iniciamos o segundo ano do triênio, invocamos Santo Antônio de Pádua, o nosso querido padroeiro, padroeiro da cidade de Juiz de Fora, do nosso Seminário, da Catedral, da nossa Arquidiocese. Ele vai nos guiar pelo seu exemplo, pela sua pregação; ele, que é chamado de Doutor do Evangelho e foi o primeiro teólogo da ordem dos franciscanos, vai nos guiar. Nós queremos ter os olhos voltados, este ano, para a sua figura, para que ele possa despertar em nosso coração sempre uma fé mais profunda, um amor mais intenso, uma consciência de Igreja mais viva em cada mente, em cada comunidade, em toda a nossa Igreja Particular.

Convoquei os padres e diáconos para que durante todo este ano tivessem o cuidado de se referirem a Santo Antônio nas pregações, nas homilias, nas reuniões, e que cada igreja tivesse uma imagem ou um pequeno altar para o santo, com a frase “Santo Antônio, sede nosso guia sinodal rumo à celebração dos cem anos da nossa Igreja diocesana”. Nós estamos na caminhada sinodal, nosso sínodo segue vivamente com o lema ‘Proclamai o evangelho pelas ruas e sobre os telhados’. Santo Antônio é, para nós, um modelo de missionário, que ajuda a nossa Arquidiocese a desempenhar a missão de ser aquela que leva Jesus para todos e traz todos para Jesus.

Neste momento arquidiocesano de caminhada para a celebração dos cem anos, peçamos a Nosso Senhor que aumente em nosso coração o dom da fé. Peçamos também a misericórdia, a bondade; a bondade que Deus tem para conosco tenhamos também para com todos. Formamos na Arquidiocese uma grande família e assim queremos caminhar rumo à festa que estamos preparando.


Dom Gil Antônio Moreira
Arcebispo Metropolitano de Juiz de Fora

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