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Nota da Pastoral Carcerária da Arquidiocese de Juiz de Fora sobre crise no Sistema Carcerário Nacional

capaface“Lembrem-se dos presos como se vocês estivessem na prisão com eles”. (Hb 13,3).

Diante da dolorosa crise que se instala sobre o Sistema Carcerário Nacional, a Pastoral Carcerária de Juiz de Fora manifesta seu profundo pesar e também reafirma o compromisso no atendimento dos encarcerados e seus familiares desta cidade e região.

Cabe ao Estado o dever de propiciar o mínimo de dignidade a uma população que carece dos direitos sociais mais básicos, a fim de devolver os detentos à liberdade livres da criminalidade. Dados recentes do Ministério da Justiça mostram que a população carcerária cresceu 575% nos últimos 26 anos. O paradoxo desta política de encarceramento em massa é que os esforços governamentais, que se empenham na construção de mais presídios, sem as condições necessárias de humanização, não têm diminuído, mas aumentado a criminalidade.

O Brasil ostenta hoje o patamar de quarta maior população carcerária do mundo, atrás de EUA, China e Rússia. No entanto, entre eles é o campeão de prisões de acusados sem condenação. Na questão de superlotação, somos também um dos vencedores: temos metade das vagas para atender o número de encarcerados. Vê-se que o Sistema Prisional carece não só de novas construções, mas de uma profunda reforma estrutural.

Nas Unidades Prisionais de todo nosso País predominam a superlotação, a violação de direitos e os recorrentes casos de maus-tratos e torturas. O encarceramento em grande número nos Sistemas Prisionais não gerou melhora na Segurança Pública em nossas cidades. Pelo contrário, os índices de violências, nos últimos anos, aumentaram de maneira gigantesca, vitimando, sobretudo as pessoas pobres, negras, das periferias e de baixo nível educacional.

Fica evidente que encarcerar pura e simplesmente não é solução para pôr fim a tanta violência, pois infelizmente o Estado não tem criado estruturas que contribuam para reconstrução da vida da pessoa encarcerada e sua ressocialização. Como disse o Papa Francisco em sua visita ao México, “é um engano social acreditar que a segurança e a ordem só são alcançadas prendendo as pessoas”. Na verdade, as prisões, nos esquemas atuais, resultam quase sempre somente em dor e destruição da pessoa humana.

Enfim, é urgente construir novas estruturas que propiciem a real ressocialização para, em um futuro próximo, vivermos o tão sonhado “mundo sem prisões”, encontrando alternativas para punir os que erram e combatendo eficazmente a criminalidade e a corrupção, sem perder o foco da eliminação das causas e não só dos efeitos.

Queremos também dizer um “não” explícito a toda forma de violência praticada por facções criminosas que agem com requintes de crueldade e desrespeito à dignidade do ser humano, não colaborando com a solução do problema, mas antes o agravando. Que o Estado consiga meios para a eliminação do crime organizado e o diabólico tráfico de drogas.

O Brasil de tantas crises construídas nos últimos anos encontre em todos, governo e população, formas de reconstruir a Nação e alcance a paz!


Dom Gil Antônio Moreira
Arcebispo Metropolitano de Juiz de Fora

Padre Welington Nascimento de Souza
Assessor Eclesiástico da Pastoral Carcerária da Arquidiocese de Juiz de Fora

 

Cristãos leigos e leigas na Igreja e na sociedade (Documento 105 CNBB)

Por Padre José Sávio Ricardo
“Sal da terra e luz do mundo” (Mt 5, 13-14)


pastorais-cruzA partir desta edição vamos conhecendo, passo a passo, este importante documento da Igreja Católica no Brasil. Fruto de muitas reflexões e aprovado pela Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) na 54ª Assembleia Geral (abril de 2016). Retoma e aprofunda a participação dos leigos e leigas, chamados pelo Batismo e pela Crisma ao seguimento de Jesus Cristo, assumindo
a responsabilidade na Igreja e na sociedade.

“A unidade da Igreja se realiza na diversidade de rostos, carismas, funções e ministérios. É importante dar-nos conta deste grande dom da diversidade, que potencializa a missão da Igreja realizada por todos os seus membros, em liberdade, responsabilidade e criatividade. O dom do Espírito se efetiva na ação concreta de cada membro da comunidade, como explica o apóstolo Paulo. O critério da ação é a edificação da comunidade (1Cor 14,12). Em função do bem comum, a comunidade organiza-se no compromisso de cada membro e busca os meios de tornar mais operantes os dons recebidos do Espírito. Os modelos de organização eclesial podem mudar ao longo da história; permanece, no entanto, a regra mais fundamental: a primazia do amor (1Cor 13), da qual advém apossibilidade de integrar organicamente a diversidade e o serviço de todos os que exercem alguma função dentro da comunidade. ” (nº 93)


A todos os leigos e leigas, parabéns pela sua vocação!

A luz que vem do alto brilhe no Ano Novo

No Natal encontramos a luz. Que ela ilumine todo o ano que vai começar!

Muitos vivem neste mundo em caminhos escuros ou obscuros, tateando na vida, sem saber de onde vieram e nem para onde irão. Perdem o rumo, desviam-se frequentemente de um objetivo para o qual valha à pena dar a vida. Muitos vivem nas trevas do ateísmo, do indiferentismo religioso ou, às vezes, até da irritação com aqueles que creem. Muitos não se libertam de si mesmos e veem-se embaraçados nos fios de seu egoísmo, tentando se valer inutilmente de sua própria e pobre luz.

Há uma só luz para a existência humana e ela vem do alto, como afirma São João Evangelista: “A luz brilhou nas trevas, mas as trevas não conseguiram dominá-la” (Jo 1, 5). Naquela noite iluminada por Cristo que nasce em Belém, todo ser humano é chamado a abrir-se e a expandir tal luz, pois a humanidade, em grande parte tem necessidade premente de iluminação e de clareza sobre em que crer, o que viver e como agir. Por isso Jesus nos pede e nos ensina que a luz da manjedoura de Belém brilhe em nós e reflita em todos os que encontrarmos na vida ou que conosco procurem praticar o bem e somente o bem. Assim afirmou: “Brilhe a vossa luz diante dos homens para que vejam vossas boas obras e deem glória a Deus” (Mt 5, 16.) A nossa luz não é própria. Somos como planetas e satélites que refletem a luz do Sol da Justiça, que é Deus mesmo.

Na noite do Natal, nas cercanias da cidade de Davi, Maria deu à luz a seu Filho primogênito (Lc 2, 7). Pastores que estavam por perto viram anjos que cantavam “Glória a Deus nas alturas e paz na terra aos homens de boa vontade” (Lc 2, 8). Foram envoltos em luz e um dos anjos lhes anunciou o nascimento do Menino: “Encontrareis um menino envolto em panos e deitado numa manjedoura” (Lc 2, 12). E eles atenderam ao aceno do Anjo e se dispuseram ir em busca do recém-nascido, que pelo anúncio angelical, souberam ser o Salvador do mundo (Lc 2, 11).

Muitos, ao contrário, resistem à luz, mas ela vencerá as trevas. Muitos, equivocadamente, por não terem a graça de crer, desejam impedir que ela ilumine, mas trata-se de algo impossível, pois ninguém a alcança para este fim. Porém, os que a recebem e passam a amá-la nunca mais se distanciarão dela. “Feliz és tu, porque acreditaste” (Lc 1, 45), disse Isabel a Maria. A fé ilumina a mente, o coração, a vida, o presente e o futuro.

Feliz de quem encontrou a luz! Sua vida será iluminada para sempre. Haverá de escutar da boca do mesmo Jesus que nasceu em Belém, quando já crescido começou a expandir sua luz: “Eu sou a luz do mundo, quem me segue não andará nas trevas, mas terá a luz da vida” (Jo 8, 12).

A grande Luz, que é Jesus, acende para a humanidade outras claridades com seus sinais. Por isso o Profeta Isaias proclamou com antecedência: “ O povo que andava nas trevas viu uma grande luz: para os que habitavam nas sombras da morte, uma luz resplandeceu” (Is 9, 1 -6)
O que posso desejar-lhe de melhor, senão que a Luz que vem do alto brilhe em sua vida, em seus caminhos, em seus propósitos, em suas decisões durante todo o novo ano de 2017!

Feliz Ano Novo!

Dom Gil Antônio Moreira
Arcebispo Metropolitano de Juiz de Fora

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