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Mês Vocacional: Testemunhas da Vida em Cristo

CARTAZ MES VOCACIONAL 2022Com o tema: “Cristo Vive! Somos suas testemunhas” e no lema: “Eu vi o Senhor!” (Jo 20,18), a Igreja no Brasil vive o mês de agosto como Mês Vocacional. Todas as vocações serão lembradas, rezadas e celebradas neste mês de agosto: a vocação presbiteral, no primeiro domingo, com o “Dia do Padre”, a vocação ao matrimônio, no segundo domingo, com o “Dia dos Pais”, a vocação à vida religiosa, no terceiro domingo, dia dos religiosos e religiosas, e a vocação dos leigos e leigas, com o dia do catequista, no quarto domingo.

A vocação é o resultado da vontade de Deus de “sair” de si para dar-se a outro ser. Nisto consiste a relação: Deus quer unir-se a outro ser que não Ele mesmo. Isso é universal Nós participamos dessa ação universal e unitária do projeto de Deus: Deus cria para unir-se ao criado. Cria por amor. E isso, com todas as consequências: de fato, se por um lado não aceitamos o “Pan-teísmo”, isto é, não consideramos que tudo é Deus, por outro lado, proclamamos um “Pan-en-teísmo”, isto é, Deus em todas as coisas, justamente por Ele ser o criador, manifestando com isso que Ele cria para estar unido ao criado. A vocação é um caminho a percorrer, da provisoriedade do efêmero à completude do definitivo. No efêmero já somos envolvidos pelo Mistério amoroso e misericordioso do nosso Deus. Vocação é vivência na fé, na esperança e na caridade, especialmente a caridade, por aquilo que já nos exortou o Apóstolo (cf. 1Cor 13,13). Somos chamados a fazer experiência desse Mistério, cuja manifestação se deu em Jesus Cristo, Filho de Deus que se fez carne, assumiu nossa condição, experimentou nossa dor, sofreu a morte, mas ressuscitou. A vocação, portanto, nos coloca numa relação com o Vivente, com seu Espírito, Senhor que dá a vida. Quando respondemos sim ao chamado nos tornamos suas testemunhas. E esse chamado é para todos os batizados e batizadas.

Trata-se de uma vivência de amor. Ele nos chama para dar-nos o seu amor. O amor de Deus, que é Deus mesmo, estabelece uma união, misteriosa sim, mas real. Claro, é uma união diferente da “união hipostática”, o que acontece na Encarnação do Verbo, mas uma união com a mesma vida de Deus. Deus e nós, uma comunidade de amor, reflexo daquela que é a melhor comunidade, a Santíssima Trindade. Portanto, vocação, chamado dirigido a todos, é a experiência da intimidade divina, da santidade de Deus em nossa vida, da espiritualidade que não significa cuidado com a alma e desprezo pelo corpo, mas cuidado com a pessoa inteira, na unidade de corpo e alma, espírito e matéria. Deus nos chama a fazer parte de sua vida, a entrar na sua relação de Pai e Filho e Espírito Santo.

Deixemos que a oração do mês vocacional fale aos nossos corações. Com ela quero expressar meu desejo de que neste mês de agosto todos se sintam chamados a ser testemunhas do amor e se proclamem esse amor a todos: “Ó Deus de infinita bondade, que sempre nos acompanhais em nossa caminhada sinodal, sede força e proteção para aqueles que realizam seu itinerário de discernimento vocacional. Inspirados no projeto de vida de tantos santos e santas, possamos dar testemunho de fé, afirmando: “Eu vi o Senhor!” Configurai nossos corações a Cristo Bom Pastor, a fim de que nossos propósitos e ações possam sempre indicar que: “Cristo Vive! Somos suas testemunhas.” Que o Espírito Santo nos ilumine e que, em nossa missão evangelizadora, saibamos transbordar de afeto, ternura e compaixão. Olhai e acompanhai vossos filhos e filhas, para que, a exemplo de nossa querida Mãe Maria, tenhamos a sensibilidade de nos colocar à disposição da promoção de uma cultura vocacional na Igreja e na sociedade. Isto vos suplicamos, ó Pai, por intermédio de vosso Filho Jesus Cristo, na unidade do Espírito Santo. AMÉM”.


Dom Jaime Vieira Rocha
Arcebispo de Natal (RN)

Dia dos Avós

dia dos avos-siteEm 26 de julho de cada ano, ou no domingo próximo dessa data, celebramos o Dia Mundial dos Avós e de todos os Idosos. É uma comemoração instituída pelo Papa Francisco em 2021. Neste ano deve ser celebrado no final de semana, dia 24 de julho, refletindo sobre o tema proposto: ”Dão fruto mesmo na velhice”. Data criada para homenagear São Joaquim e Santana, os avós de Jesus Cristo.

Falar sobre os avós é pensar na experiência, na história de vida longa e recheada de riquezas vividas ininterruptamente. Ser idoso é um prêmio, um dom inestimável e superação de debilidades que acompanham o ser humano. Mesmo com o crescimento da média de vida, muitos não chegam à idade avançada. Ficam pelo caminho, normalmente ceifados por alguma circunstância inesperada.

Nos textos do Antigo Testamento encontramos a figura dos idosos. Esses anciãos recebiam um tratamento diferenciado. Eram muito valorizados e indicados para compromissos importantes. Isto aparece no diálogo de Deus com Abraão. Abraão, já fragilizado pela idade, foi desafiado diante da proposta da Aliança com o Senhor, de colocar-se como uma referência de fé para toda a humanidade.

Estamos agora num contexto diverso daquele vivenciado no passado em relação aos idosos, especialmente quando se refere aos avós. Pela dinâmica moderna, ser pessoa idosa é ser descartada e até desvalorizada, porque tem dificuldade de manipular e manusear os modernos meios de comunicação. Mas os avós exercem hoje o papel de educadores de seus netos, ocupando o espaço de dever dos pais.

Devemos homenagear carinhosamente todos os avós, não só porque têm o privilégio de uma tenra idade, mas pelo fato de suprir a ausência dos pais, que necessitam trabalhar e ficar grande parte de seu tempo distante dos filhos. Em muitos casos, são os avós que educam os netos para a vida cidadã, o valor da responsabilidade social, para a vivência de fé e os valores de uma vida autêntica.

A interação que os avós têm com os netos está dentro do contexto do convívio, diferente das possibilidades devidas aos pais. Então, o tempo que têm nesta fase da vida permite maior atenção aos netos e testemunham suas experiências de vida, transmitindo para eles todos os valores adquiridos no passado. É o encontro dos novos com a tradição, para ajudá-los no desenvolvimento humano.


Dom Paulo Mendes Peixoto
Arcebispo de Uberaba (MG)

Diretivas Divinas

passaroNo entender dos cristãos, Deus está por trás de todas as atividades da vida, sejam divinas ou humanas, boas ou más. Nada escapa aos seus olhos, mas sempre focados no bom caminho, no que é digno e convém para a realização de seus objetivos. O projeto divino se realiza num comprometido amor a Ele mesmo e às pessoas, no acolhimento e convivência social e fraterna, na prática de Jesus.

Para qualificar a vida humano-divina, Deus apresenta Jesus como modelo de perfeição, sendo nossa referência fundamental. Mas o caminho que nos identifica não é fácil, é cheio de confrontos entre o bem e o mal. Significa que ninguém está pronto, perfeito, mas busca os próprios objetivos apoiados nos princípios de referência. Numa atitude de despojamento, Deus está na sentinela.

Não é fácil perceber e compreender a presença de Deus nas falcatruas praticadas na sociedade, dizendo que Ele está por trás até das coisas erradas. Isto sim porque é o sustentáculo da vida, mesmo da vida que pratica atos de irresponsabilidade. Jesus disse aos seus seguidores que não veio para os santos, os perfeitos, mas para os doentes com o intuito de libertá-los das amarras que os prendem.

Diante do desgaste constante que a sociedade brasileira vem sistematicamente sofrendo nos últimos tempos, num clima de insegurança total e sofrimento generalizado da classe vulnerável, a hora é de abrir os nossos corações e nossa consciência, porque são espaços onde Deus fala e agir com mais responsabilidade. É preciso intuir as propostas e indicações de Deus para um mundo melhor.

Falamos de “salada de frutas”, que parece ser expressão que explica muito bem o que está sendo praticado no Brasil. Política deixando de ser uma verdadeira política; a religião deixando de ser verdadeira religião; a economia, que deveria ser estabilidade social e econômica, para defender os mais pobres, centralizada nas mãos de um pequeno grupo privilegiado e incapaz de partilhar.

A grande pergunta que surge em nosso pensamento é esta: onde estão as diretivas divinas se, em diversas situações, o que reina mesmo é a exploração como um verdadeiro assalto contra o direito à dignidade dos excluídos? Não é fácil dar uma resposta mediante uma corrupção instituída e sem perspectiva de mudança. Mas temos que acreditar na ação de Deus transformando a conduta das pessoas.


Dom Paulo Mendes Peixoto
Arcebispo de Uberaba (MG)

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