chamada blog

O testemunho de fé de Maria de Nazaré

Imaculada-ConceicaoA Solenidade da Imaculada Conceição que marca, a cada ano, o nosso caminho de preparação para o Natal, encontra no Advento o seu contexto mais natural. A contemplação do mistério da graça, assim como ele se revelou na vida de Maria, é fonte de esperança para toda a Igreja e para cada um de nós, para cada pai, cada mãe, cada jovem, adolescente ou criança. O mistério da graça, que nos coloca em comunhão com Deus, é o fundamento da história e do projeto de salvação para cada criatura que está no coração de Deus criador.

A inocência de Maria, manifestada no anúncio do anjo Gabriel, é esta capacidade de viver na realidade da vida, com o coração aberto às passagens imprevisíveis de Deus na sua vida, mas também na nossa história. Maria é mestra da espera e por isso toda a sua vida “é como que vivida em previsão”, é totalmente vivida em relacionamento com os outros e, por isso, é uma vida verdadeira.

No peregrinar da vida, o primeiro passo para vivermos a nossa humanidade, marcada pela “divina” presença de Deus, é abrirmos os ouvidos do coração para nos colocarmos na escuta dele, que pode também nos falar através do silêncio. Os textos da Sagrada Escritura que falam da Anunciação, nas celebrações litúrgicas, não nos falam tanto de Maria, mas do “Filho” Jesus (Lc 1,31) e de Isabel (Lc 1,36). Isso porque toda visita de Deus na nossa vida é uma visita que devemos restituir com um acolhimento e um amor maior, que saiba manifestar gratidão a Deus e nos leve ao encontro dos irmãos e irmãs na comunidade, para estar a serviço do Evangelho.

A promessa de salvação não pode ser separada da comunhão com Deus. Ela se torna para cada um de nós o lugar onde podemos encontrar, a cada dia, a força para tomarmos a decisão de não nos deixar desorientar pelo mal, que tem tantas faces no mundo, e se apresenta muitas vezes com voz sedutora, à porta da nossa mente e do nosso coração, e tenta nos encher de suspeitas e incertezas, ao invés de alimentar a esperança e a confiança no Deus da vida, que caminha com o seu povo, que por amor a cada um de nós enviou ao mundo seu Filho Jesus, que foi acolhido como “Verbo”, palavra, no seio da Virgem Maria.

Maria aceitou ser amparada pela mão do seu Criador. Por Ele deixou-se conduzir, aderindo ao seu “projeto de amor”. E porque o amor “existia antes da criação do mundo”, ele é o coração e o motor da tua vida, da tua história, de cada história humana e divina, vivida na fidelidade e sob o olhar de Deus, Pai criador e salvador.

Dom José Gislon
Bispo de Caxias do Sul (RS)

Aproxima-se a chegada do Senhor

Coroa-do-AdventoNo último domingo (29) a Igreja deu início ao Advento, tempo de quatro semanas em preparação para o Natal. Composto de duas partes, o referido tempo litúrgico pretende auxiliar na expectativa da segunda vinda de Cristo no fim dos tempos e para a celebração litúrgica do Seu nascimento em Belém de Judá. A pessoa humana é convidada a vivenciar, em si mesma, a vida de Cristo que se dá pela assimilação de Sua Palavra e de Suas obras.

Este deve ser um período de oração, reflexão e até de penitência: embora não seja um tempo penitencial como a Quaresma, podemos sacrificar alguma coisa em benefício de Cristo, que deu a Sua vida por nós. A participação na Eucaristia, a realização de leituras bíblicas e as novenas em família são alguns passos que nos ajudam a participar mais intensamente do Natal.

Apesar das limitações impostas pela pandemia do novo coronavírus, procure integrar-se bem na sua comunidade. Se não puder participar presencialmente, acompanhe pelas mídias as celebrações, lives, tudo aquilo que está sendo feito para que possamos alimentar a nossa fé e crescer no amor a Deus e ao próximo. Mesmo que de um jeito totalmente novo, não deixe de participar. A pandemia não pode afastar você da sua comunidade de fé e de Deus.

Outra bonita mensagem deste tempo litúrgico, sobretudo em 2020, é a esperança, virtude que resolve as angústias humanas e não permite desastrosas quedas no desespero, que é seu antônimo. Espera-se por dias melhores, espera-se que os problemas sejam resolvidos, mesmo quando não se vê muita possibilidade, espera-se que o mal não triunfe.

O Advento acende nos corações a santa esperança, antecipando sinais da ternura do Natal. Ele tem o condão de levar as mentes e os corações para lugares distantes, olhando para o passado, ao se lembrar do que aconteceu em Belém, há dois mil anos; olhando para o futuro, fazendo a humanidade visualizar a segunda vinda do Salvador, que voltará na glória para julgar os vivos e os mortos. O Advento é expectativa, esperança que não decepciona.

Esperar! Eis o segredo da vida!


Dom Gil Antônio Moreira
Arcebispo Metropolitano de Juiz de Fora

Solenidade de Nosso Senhor Jesus Cristo

cristo reiChegamos a mais um encerramento de um ano litúrgico chamado de Ano litúrgico A. No 34º Domingo do Tempo Comum, celebramos a Solenidade de Nosso Senhor Jesus Cristo, Rei do Universo.

O Papa Pio XI (1922-1939), com a sua Encíclica Quas Primas (11 de novembro de 1925), estabeleceu a Solenidade de Nosso Senhor Jesus Cristo Rei do Universo. Assim, este Santo Pontífice recordou a extensão do Senhorio de Jesus Cristo sobre todas as pessoas, famílias, cidades, povos e nações, governos e instituições, ou seja, a realeza social do Senhor Jesus sobre o mundo. A grande realidade da fé cristã é o Cristo Ressuscitado, vencedor do pecado e da morte, que concede a sua vitória aos que lhe pertencem. O Papa Pio Xi demonstrou com aquela Encíclica que o laicismo é a negação radical desta realeza de Cristo, pois organiza a vida social como se Deus não existisse. Tributar a Nosso Senhor Jesus Cristo os direitos de realeza não ferem a laicidade, uma vez que nenhum Estado está isento de suas obrigações para com Deus. Por isso esta Solenidade é muito importante num mundo, como o atual, que teima em não se curvar diante do Senhorio e da Realeza de Cristo!

Há uma grande verdade a respeito da vida que pode ser facilmente constatada por experiência: somos governados não apenas pelo que amamos, mas sobretudo, pelo que adoramos. Só reconhecemos como rei, só permitimos que nos governe, aquele, ou aquilo, que adoramos. E o problema é que podemos adorar muitos ídolos: dinheiro, sucesso, prazer – tudo, no fim das contas, que tem a ver com o nosso egocentrismo. E isso tem de ser descartado, tem de ser renunciado. Se colocarmos qualquer coisa que não seja Ele no trono do nosso coração, experimentaremos as consequências: prolongados – e cada vez mais frequentes – momentos de vazio, falta de sentido na vida, a impressão mais e mais nítida e perturbadora de que algo está faltando. Porque o nosso coração, e o coração de quem amamos, é sagrado. E é com base nessa verdade que devemos viver.

As leituras deste domingo falam-nos do Reino de Deus (esse Reino de que Jesus é rei). Apresentam-no como uma realidade que Jesus semeou, que os discípulos são chamados a edificar na história (através do amor) e que terá o seu tempo definitivo no mundo que há-de vir.

A primeira leitura(cf. Ez 34,11-12.15-17) utiliza a imagem do Bom Pastor para apresentar Deus e para definir a sua relação com os homens. A imagem sublinha, por um lado, a autoridade de Deus e o seu papel na condução do seu Povo pelos caminhos da história; e sublinha, por outro lado, a preocupação, o carinho, o cuidado, o amor de Deus pelo seu Povo.

O Evangelho(cf. Mt 25,31-46) apresenta-nos, num quadro dramático, o “rei” Jesus a interpelar os seus discípulo acerca do amor que partilharam com os irmãos, sobretudo com os pobres, os débeis, os desprotegidos. A questão é esta: o egoísmo, o fechamento em si próprio, a indiferença para com o irmão que sofre, não têm lugar no Reino de Deus. Quem insistir em conduzir a sua vida por esses critérios ficará à margem do Reino.

Na segunda leitura(cf. 1Cor 15,20-26.28), São Paulo lembra aos cristãos que o fim último da caminhada do crente é a participação nesse “Reino de Deus” de vida plena, para o qual Cristo nos conduz. Nesse Reino definitivo, Deus manifestar-Se-á em tudo e atuará como Senhor de todas as coisas (v. 28).

Neste dia, ao tributarmos a nossa adoração a Nosso Senhor Jesus Cristo Rei do Universo, porque o nosso coração, e o coração de quem amamos, é sagrado. E é com base nessa verdade que devemos viver. Não desrespeite seu coração e não deixe que ele seja desrespeitado. Ame a Jesus de todo o seu coração. Ame seu próximo como Ele ensinou. Carregue sua cruz unido a Ele. Seja discípulo dele e não dos ídolos deste mundo. E você será um súdito muito feliz, e capaz de comunicar essa alegria a todos com quem convive. Que Nosso Senhor Jesus Cristo seja Rei de nossas vidas, hoje e por todo o sempre, Amém!


Dom Eurico dos Santos Veloso
Arcebispo Emérito de Juiz de Fora (MG)

Arquivos

Tags

  1. Facebook
  2. Twitter
  3. Instagram
  4. Video