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Sacramentinos entre nós

sacramentinosA Arquidiocese de Juiz de Fora se alegra ao receber a Congregação dos Padres Sacramentinos em seu recinto. Depois dos trâmites canônicos, com o pedido formal e os compromissos pastorais na Igreja local, sua acolhida e instalação se deu no dia 22 de janeiro do corrente ano de 2022, com solene Missa no Cenáculo São João Evangelista, no centro da cidade. Ficamos agradecidos à Província Nostra Domina Guadalupensis (Brasil-Argentina-Chile) por ter escolhido nossa Igreja juiz-forana para a fundação dessa nova casa religiosa e selecionado o nosso Seminário Arquidiocesano Santo Antônio (SASA), conveniado com a UniAcademia, para a formação filosófica de seus noviços.

Após mais de 70 anos da feliz presença das Irmãs Servas do Santíssimo Sacramento no referido Cenáculo, promovendo a Adoração Perpétua, divulgando o amor à Eucaristia em nossa cidade e em toda a redondeza, a vinda do ramo masculino dos filhos de São Pedro Julião Eymard constitui um enriquecimento na obra evangelizadora e santificadora dessa Igreja Particular. Nós os acolhemos em nossa caminhada Sinodal, uma vez que estamos em pleno e vivo andamento do nosso II Sínodo Arquidiocesano, iniciado em 2019, cujo lema é: “Proclamai o Evangelho pelas Ruas e sobre os Telhados”.

Nós os recebemos, com satisfação, em nossos ideais de ser uma Igreja cada vez mais missionária, uma Igreja em Saída, na expressão de nosso amado Papa Francisco, tendo escolhido para nosso lema geral “Arquidiocese de Juiz de Fora, uma Igreja sempre em Missão”. Nós os acolhemos também em nosso tríduo anual preparatório para a celebração dos cem anos da criação dessa Diocese, que pretendemos comemorar no dia 1º de fevereiro de 2024. Tendo já percorrido o primeiro ano dedicado a São José, estamos para iniciar, no dia 1º de fevereiro próximo, o segundo ano preparatório, desta vez dedicado ao nosso glorioso Padroeiro, Santo Antônio. O ano que vem será dedicado à Maria, Mãe de Jesus e nossa Mãe, a quem queremos consagrar solenemente a nossa Arquidiocese, escolhendo, inclusive, uma de suas invocações como Padroeira Arquidiocesana.

Os ideais de São Pedro Julião Eymard, o Apóstolo da Eucaristia, estão bem consonantes com nossos propósitos pastorais, uma vez que as duas congregações que fundou na França – a saber, a Congregação dos Padres Sacramentinos, em 1856, e das Irmãs Servas dos Santíssimo Sacramento, em 1859 – estão hoje espalhadas pelo mundo inteiro numa grande ação missionária de levar Cristo às pessoas e as pessoas a Cristo. São muito atuais as palavras de São Pedro Julião Eymard quando disse: “Refleti muito sobre os remédios para vencer a indiferença universal que se apodera de tantos homens, e encontrei somente um: a Eucaristia, amor a Jesus eucarístico. A perda da fé provém da perda do amor”. Se estas palavras eram importantes no século XIX, continuam atualíssimas, pois vemos o indiferentismo religioso e o desamor crescendo, em detrimento da pessoa humana, num movimento enganoso de tentar eliminar Deus da vida dos seres humanos, através de uma antropologia puramente imanente, materialista, com desprezo total dos valores transcendentais.

Queremos acolher com grande satisfação os Padres Elissandro Santos de Santana e o Padre Jésus Mateus de Oliveira, que são os primeiros que aqui desempenharão sua missão Sacramentina, seja nas funções internas da Comunidade Religiosa, sendo Padre Jésus Mateus como Superior da Casa e Padre Elissandro como formador, seja nas funções pastorais para as quais hoje os designamos. Por indicação do Superior Provincial, Padre Marcelo Carlos da Silva, nomeamos Padre Elissandro como Capelão desse Cenáculo e Padre Jesus Mateus como seu auxiliar.

Em nome de toda a nossa Arquidiocese, em nome de nosso Seminário Arquidiocesano Santo Antônio, os declaramos instalados e integrados à vida e à missão pastoral de nossa Igreja Particular Arquidiocesana. Sejam bem-vindos, irmãos, para essa missão eucarística entre nós e conosco.


Dom Gil Antônio Moreira
Arcebispo Metropolitano de Juiz de Fora

As águas das chuvas…

reaproveitamento-da-agua-da-chuvaEntre os fenômenos da natureza, a chuva é um dos mais belos e dos mais fortes. A água, ao cair dos céus, desperta a vida e logo pede passagem. Onde há terra ela penetra para fecundar as sementes e deixar verde a vegetação. Alimenta as nascentes em que os sedentos acorrem para beber da água cristalina. Se o solo está impermeabilizado pelo cimento ou asfalto, ou ocupado com construções, quanto mais intensas e duradouras as chuvas, mais força as águas pluviais ganham e podem se tornar destruidoras. Se há alguma fresta, ela entra gota a gota para fazer goteira nos telhados e nas lajes. Desmorona barrancos, abre crateras, esculpe as pedras. Quase vaidosa, ela desfruta de uma persistência evocada no adágio: “Água mole em pedra dura tanto bate até que fura”. Ela está sempre presente, com grande riqueza de significados, em passagens bíblicas. Exemplo é a evocação da imagem bíblica do dilúvio, para lembrar que as águas podem submergir muitos espaços e pode trazer consigo a morte.

O ser humano dela depende para viver. Os médicos aconselham beber ao menos três litros de água por dia, o que para muitos é um sacrifício. Numa casa ela é moradora de destaque em diversos espaços, especialmente nos lavabos, cozinhas, banheiros e jardins. E quando não se faz presente, quanta reclamação de quem depende dela para banhar-se, alimentar-se e limpar os ambientes. Ela é, indubitavelmente, um produto de primeira necessidade. Pode ser chamada de ouro, pois em muitos lugares é disputada e, pelo que se anuncia, será cada vez mais valiosa. Engarrafada, em vidro ou em pet, quantos na atualidade não adquirem a água para servir à mesa e beber, ou mesmo cozinhar?

Inteligentemente, o ser humano descobriu que as águas podem ser represadas e sua força transformada em energia mecânica. Depois descobriu que daí poderia ter energia elétrica. Para isso é capaz de mudar o curso dos rios e de construir imensas hidrelétricas, que trazem inúmeros benefícios e inúmeros desequilíbrios ambientais e sociais.

As chuvas que neste verão de 2022 castigam algumas regiões do Sudeste e, também, do Norte do país oportunizam, mais uma vez, muitas reflexões. Quero contribuir com duas ponderações que me parecem necessárias e úteis. Ambas partem da pergunta: em relação à água, qual minha posição pessoal e política? Sei que sobre toda ação pessoal há uma espécie de hipoteca social. Boa parte das ações pessoais tem consequências sociais. Daí brota a natureza política das pequenas ações do cotidiano. Então, a primeira ponderação é sobre o modo como pessoalmente lidamos com a água. Reflita: como a utilizo? Há desperdícios? Que interferências minhas colaboram para resultar em desastres maiores? Preservo as árvores? Deixo espaços de solo livres para a água penetrar na terra? Evito deixar lixo no caminho das águas pluviais? Esses pequenos gestos podem parecer inúteis para você. Mas para a Terra que abriga bilhões de habitantes, cada gesto desses tem um impacto impressionante.

A outra ponderação é de ordem política. Lembre-se de que as grandes decisões administrativas confiadas aos governos precisam ser terminantemente acompanhadas e criticadas pelos cidadãos eleitores. Há decisões governamentais que são avassaladoras para o futuro do planeta. Entre elas estão as relacionadas às águas e, consequentemente, à questão energética e à mineração. O cidadão comum, de modo geral, tem pouco interesse nesses debates. Nossa omissão diante dessas decisões tem alto custo, levando ao perecimento de bens e ceifando vidas, sobretudo dos mais pobres.


Dom João Justino de Medeiros Silva
Administrador Apostólico de Montes Claros (MG)

Expectativas de 2022

579919 358750057535856 578226586 nNão é fácil fazer projeção na história de uma nação cheia de contradições, desafios, pandemia, desemprego, fome, diversidade na cultura, na economia, na política, na prática religiosa e crise governamental. Até olhamos para o futuro com certa desconfiança, porque o país vive na condição de ameaçado, com muita destruição da natureza e sacrificado por políticas e políticos desonestos.

Mas a história ainda não acabou. Ela continua e tudo pode ser transformado com o esforço de todos os brasileiros. Há esperança de mudança, de valorização das potencialidades que o Brasil tem em todos os sentidos, principalmente de um povo ordeiro e paciente. Um caminho de esperança passa pela escolha de bons administradores, competentes e honestos nas eleições deste ano.

A Palavra de Deus deve ser referência que toca os corações. O texto das Bodas de Caná (Jo 2,1-11) incentiva nossa esperança de mudança. Numa festa de casamento faltou o vinho, um ingrediente indispensável para aquele momento festivo. Alguém apareceu com espírito de liderança e resolveu o problema com a transformação da água em vinho, sinal de que nas fragilidades é possível mudança.

Diante desta situação do povo brasileiro, é possível escolher líderes capacitados e bem-intencionados para dirigir os destinos da nação. Ninguém tem uma estrela na testa mostrando o nível de sua identidade e compromisso social, mas todos têm uma história de vida com atitudes honestas ou não. Significa que é possível formar um corpo administrativo da forma que o brasileiro precisa.

Há uma insatisfação generalizada do povo em relação às atuais lideranças políticas. Falta neles uma sensibilidade proativa para com a população pobre, a não ser na hora da campanha eleitoral, que vai começar já para as eleições deste ano. Pesa sobre cada eleitor uma pesada carga de responsabilidade na hora da escolha. É desses momentos que podemos falar de expectativas para 2022.

Muitos dons e capacidades podem ser usados para o mal, principalmente quando se tem como motivo a competição, a divisão e o orgulho próprio. É justamente por isso que temos uma realidade muito desequilibrada, desumana e preocupante para a população. Há uma crise de autoridade em todos os setores da sociedade, mas isto pode mudar com a participação consciente dos cidadãos.


Dom Paulo Mendes Peixoto
Arcebispo de Uberaba (MG)

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