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Festa do Batismo do Senhor

batismojesus“Eu, o Senhor, te chamei para a justiça e te tomei pela mão; eu te formei e te constituí como o centro de aliança do povo, luz das nações, para abrires os olhos dos cegos, tirar os cativos da prisão, livrar do cárcere os que vivem nas trevas” (cf. Is 42,6-7).

Perpassado as solenidades do Tempo do Natal, celebramos neste domingo a Festa do Batismo do Senhor, onde revela-se a identidade de Jesus Cristo e o início da sua missão para a instauração do Projeto de Salvação de Deus para com toda a humanidade. E é através do Batismo que somos inseridos a comunidade cristã, onde somos mergulhados na água, simbolizando a nossa sepultura e, ao se emergir, somos renascidos para o Cristo como novas criaturas.

A Primeira Leitura, retirada do Livro do Profeta Isaías (Is 42,1-4.6-7), o profeta anuncia a chegada do Servo escolhido por Deus, onde ele será designado a instaurar a justiça por toda a Terra, pois este Servo será manso, justo e humilde de coração. Em que ele não será abaterá enquanto a instauração da justiça seja concretizada. Pois assim diz o Senhor Deus: “Eu, o Senhor, te chamei para a justiça e te tomei pela mão; eu te formei e te constituí como o centro de aliança do povo, luz das nações, para abrires os olhos dos cegos, tirar os cativos da prisão, livrar do cárcere os que vivem nas trevas” (cf. Is 42,6-7).

No Evangelho de Lucas (Lc 3,15-16.21-22), concretiza a profecia dada pela de Isaías: Jesus Cristo, o Enviado de Deus inicia sua missão sendo batizado pelo maior de todos os profetas, João Batista. João Batista batiza com água, Jesus Cristo batiza com o Espírito Santo e no fogo, pois ele que se encarnou traz a graça da salvação a todos, assim Deus aclama: “Tu és o meu Filho amado, em ti ponho o meu bem-querer” (cf. Lc 3,22c).

A Segunda Leitura extraída dos Atos dos Apóstolos (At 10,34-38), Lucas demonstra a exortação de Pedro sobre o início da missão que Jesus Cristo obteve através do seu Batismo, por João Batista, no rio Jordão. Ao relatar o anúncio da Boa Nova, por Jesus Cristo, Pedro deixa implícito que a missão que foi cabida ao Nazareno, estende-se a nós, por primeiro ao sermos conhecedores dos fatos. E, por segundo, como o próprio Cristo nos deu o exemplo de batizar, ou seja, “iniciar a missão”, cada um de nós batizado igualmente temos a missão em anunciar a Boa Nova da Paz, fazendo o bem e curando a todos que Deus coloca em nosso caminho. Afinal, Jesus “andou por toda a parte, fazendo o bem e curando a todos os que estavam dominados pelo demônio; porque Deus estava com ele” (cf. At 10,38b).

Enfim, que a Festa do Batismo do Senhor sejamos autênticos discípulos-missionários no Anúncio do Evangelho da Salvação; relembrar que através do Batismo do Jesus Cristo “a graça de Deus se manifestou trazendo a salvação para todos os homens” (cf. Tt 2,11). Logo, jubilosos aclamamos: “Bendize, ó minha alma, ao Senhor! Ó meu Deus e meu Senhor, como sois grande! De majestade e esplendor vos revestis e de luz vos envolveis como num manto” (cf. Sl 103,1-2a).

Saudações em Cristo!

Dom Eurico dos Santos Veloso
Arcebispo Emérito de Juiz de Fora (MG)

Natal e Ano Novo, tempos de esperança e solidariedade

LuzO povo que habitava nas trevas viu uma grande luz, para os que habitavam na sombra da morte,
uma luz resplandeceu. (Is 9,1)


As festas natalinas e a passagem do ano primam pela exuberância da luz. A noite santa penetra pelas janelas das casas, das igrejas, dos ambientes de trabalho, pelas ruas da cidade e acende milhares de lâmpadas carregadas de festa. Nossos presépios refletem um misto de penumbra e claridade celestial, deixando inconfundível foco sobre o recém-nascido, o Menino Deus, reclinado em sua manjedoura. Não faltará sobre a gruta da natividade a estrela com sua cauda luminosa.

No Natal os corações se enchem de ternura e paz e na chegada do novo ano, a alegria predomina, os sonhos se multiplicam, a esperança enche corações. Quando os sinos das igrejas ou os dígitos dos celulares marcam meia-noite, definindo o novo calendário, estouram-se fogos de artifício que jorram em cascatas de luz, quebrando a escuridão da abóboda noturna.

A exuberância das luzes é imagem da grande e verdadeira claridade que brilhou nas trevas, que é o Menino de Belém, o Filho de Deus que se fez homem para nos salvar e nos tirar das sombras da morte. A partir de sua entrada na história da humanidade, os caminhos se iluminam para atitudes de amor ao próximo e partilha concreta. Atualmente, tal apelo se torna mais forte, após dois anos de pandemia, com tantas mortes e insegurança financeira no mundo inteiro, mesmo com efeitos esperançosos provocados pelo sucesso das vacinas acreditadas por uns, desconfiadas por outros.

O Ano Novo seja iluminado com atitudes de solidariedade, fraternidade, menos desavenças políticas e mais paz e harmonia. É o que todos desejam. A luz brilhe em nossa vida pela fé, com uma experiência pessoal de encontro com Deus que nos dá seu Filho como iluminador de nossos itinerários. Brilhem nossas almas quando nos tornarmos menos egoístas e mais fraternos.

Alegro-me com nossa Arquidiocese de Juiz de Fora que, pela integração do clero e leigos na caminhada sinodal, tem conseguido amplo progresso na experiência de caminhar juntos, em vista da construção do Reino de Deus, de justiça, paz e caridade. Satisfaz ao coração as visíveis iniciativas no mapa da acolhida, da partilha, como nas doações de cestas básicas que se multiplicaram ao menos por três, nas paróquias, neste tempo da pandemia e em outras muitas iniciativas em favor das pessoas mais atingidas, seja na área da saúde, seja no campo da carência de recursos para viver com dignidade.

Para o Ano de 2022, a Arquidiocese se une, em sua caminhada sinodal e na preparação para o centenário diocesano a ser celebrado em 1º de fevereiro de 2024, com projetos novos na prática da solidariedade, da comunhão e da missão, além da liturgia e da espiritualidade espelhada na vida de Santo Antônio, o Patrono Arquidiocesano do Ano 2022, preparatório para a comemoração centenária.

Com satisfação, compartilho as perspectivas de nosso Instituto Padre João Emílio no sentido de ampliar seu atendimento de crianças carentes, passando de 150 matrículas para 216 a partir de fevereiro próximo, além de ter inaugurado amplo espaço de atividades múltiplas na área defronte ao prédio, estacionamento, alargamento da via de acesso e o lindo portal. Tudo isso é ofertado às famílias de nossos meninos e meninas que no regime de contraturno escolar são para nós grande riqueza e constituem viva alegria no ato de servir ao próximo, na mística do amor de Deus. Além do Projeto Esperança, iniciado pelas nossas estimadíssimas Irmãs do Bom Pastor que cuidaram do Instituto por mais de cem anos, já foi iniciado o Projeto Musical, com atividades capazes de formar meninos de famílias carentes para orquestras, canto coral e profissionais da música. Com muita esperança, aguarda-se resposta da Prefeitura Municipal a respeito da cessão de terreno no Jardim dos Alfineiros, na região da Nova Era, para ampla extensão das atividades sociais em favor dos vulneráveis que se multiplicaram no tempo de pandemia, sobretudo nas periferias.

No Vicariato da Caridade, duas novas Diaconias foram criadas neste final de ano e estarão em plena atividade a partir de 2022, que são a Diaconia “Dai-lhes vós mesmos de comer”, para organizar melhor e ampliar o atendimento alimentar de vulneráveis da área, e a Diaconia “Deixai vir a mim os pequeninos” para acolhimento de todos o que necessitarem de maior atenção em nosso meio social, menores carentes e, sobretudo, os irmãos em situação de rua. Outras iniciativas compõem a extensa programação pastoral para 2022, na segunda fase do II Sínodo Arquidiocesano.

O Verbo que se fez carne, Jesus de Nazaré, que os pastores e os magos adoraram em Belém de Efrata, seja nossa luz no ano que se inicia e para sempre.


Dom Gil Antônio Moreira
Arcebispo Metropolitano de Juiz de Fora

Proximidade do novo

natalEstamos perto das festividades de Natal e fim do ano civil. É tempo de saneamento das mentes, para dar lugar a ares novos, vida nova e renovada. O ano de 2021, ainda em tempo de pandemia, vai ficar na história como realidade difícil para a humanidade, de luto e sofrimento. No Brasil tivemos que enfrentar o “gosto amargo” das polarizações, mas também de esperança com a chegada das vacinas.

Aproximar-se do que é novo significa fazer um processo de renovação do coração e caminhar para um recomeço enxertado de utopias, de esperança e de luta. É fundamental ter a capacidade para recriar aquelas motivações que valorizam a vida e a dignidade das pessoas. A confiança e a capacidade de realizar projetos novos é capaz de sustentar essas utopias de uma vida melhor e saudável.

O isolamento social da pandemia do coronavírus tem uma afinidade com o Exílio da Babilônia, lá no passado, quando o Povo de Deus ficou totalmente confinado na Mesopotânia, fora de suas terras. A libertação dessas experiências sofridas proporciona ao povo um clima de novidade, esperança e júbilo. Agora é retirar a veste de luto e tristeza e se revestir de beleza, glória e alegria pelo novo.

Já é quase possível dizer que a pandemia terminou, porque aos poucos, está acontecendo o advento da normalidade. Mas é necessário continuar investindo na autoproteção, pois o vírus ainda continua circulando. Não descartar as orientações das Secretarias Municipais de Saúde, que lutam com todas as forças para conseguir vencer totalmente essa pandemia, que ceifou tantas vidas.

A chegada do Menino de Belém, o nascimento de Jesus no dia de Natal, tem uma conotação de novidade e de profunda marca histórica. É o irromper de novos tempos, ou também chamado de “fim dos tempos”, não de criar medo e temor, mas alegria da vida que brota de um querer divino, interpretado como tempo de salvação e vida nova. O Advento é celebração da proximidade desse fato.

O nascimento de Jesus é a entrada de Deus na história e na vida humana, para ressignificá-la e elevá-la na sua real dignidade. Isso faz com que o ser humano seja divinizado. Com isto, celebrar o Natal é grande oportunidade para reorientar a vida para o Senhor e confirmar a continuidade da presença de Deus no meio de seu povo. Essa novidade deve ter lugar central na vida de todos.


Dom Paulo Mendes Peixoto
Arcebispo de Uberaba (MG)

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