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Luzes de Natal

menino luzA verdadeira luz que brilha no Natal do Menino Jesus é a esperança. Todas as outras luzes se apagam, passadas as festas natalinas – enfeites das ruas e praças, casas e comércios. Há muitos brilhos que enchem os olhos, mas todos são ofuscados pela luminosidade da esperança que reveste o coração humano, fortalecendo-o, permanentemente, para enfrentar os muitos desafios. Os enfeites deste tempo se apagam, mas a luz luzente da esperança permanece. Fortes e inspiradoras são as imagens, com as suas simbologias, apresentadas pelo profeta Isaías. No capítulo 35 de seu Livro, o “profeta da esperança” anuncia alegria ao deserto e à terra seca, o júbilo à estepe para que floresça como o lírio. Augúrios para que a terra germine e exulte, cheia de alegria e louvor. Uma imagem exuberante da natureza para que se compreenda a dinâmica da esperança no coração humano, levando força às mãos abatidas, firmeza aos joelhos vacilantes, infundindo destemor aos medrosos, pela presença de Deus.

A presença de Deus é luz da esperança – força única que gera admiráveis transformações, conforme diz Isaías: “Os olhos dos cegos vão se abrir, e os ouvidos dos surdos se desobstruirão, saltará o aleijado como um cabrito, cantará a língua dos mudos, água jorrará no deserto, e rios, na terra seca, o chão ressequido se mudará em pântano, e a terra sedenta em mananciais de água”. O brilho luminoso da esperança reluz do coração de Deus que vem na terna fragilidade de um Menino. O Menino-Deus revela-se Mestre para ensinar seus discípulos a tarefa e o propósito de suas vidas. Assim, as luzes do Natal se efetivam na conduta de cada pessoa, chamada a ser luz do mundo. Na abertura do Sermão da Montanha, Jesus dirige-se a seus discípulos definindo-os como “luz”. Indica que a luz do seu Natal produz outras luzes duradouras. Brilhos que se acendem pelo zelo e compromisso de viver a partir de princípios e valores emanados de Cristo, a luz maior, cujo brilho e luminosidade não têm ocaso.

Há medo e desespero nos corações de muitos, dificultando o reconhecimento da luz da esperança. O crescimento da violência e do desrespeito atrapalha a necessária capacidade de esperançar. Uma incapacidade provocada também pelo viver sem dignidade: é preciso reconhecer que os avanços da contemporaneidade, especialmente no campo técnico-científico, contracenam com precárias condições de vida da grande maioria dos seres humanos. Diante dessa realidade, é oportuno retomar o itinerário desenhado pelo Papa Francisco na Exortação Apostólica “A alegria do Evangelho”. O Papa indica “estações” que, levadas a sério, acendem incandescentes luzes de Natal. Dentre as estações estão as que conduzem a humanidade a dizer “não” à economia da exclusão, à nova idolatria do dinheiro, a um dinheiro que governa em vez de servir, à desigualdade social que gera violência.

Esses “nãos”, expressados convictamente, permitem à sociedade enxergar a luz da esperança. O “não” à economia da exclusão se fundamenta no horizonte do mandamento “não matar”. É preciso, pois, atenção para evitar tudo que promove a economia da exclusão: o desperdício de alimentos ou o consumo além da necessidade, a competitividade perversa. Devem ser buscadas soluções para mudar a realidade de tantas pessoas sem trabalho e, consequentemente, sem horizonte para suas vidas. A exclusão alimenta a “cultura do descartável”, que traz consequências perversas para os recursos do planeta e, igualmente, para o ser humano – tantas pessoas deixam de ser consideradas pela sociedade. Apesar desses graves problemas que distanciam o ser humano da luz de Deus, convive-se com um anestesiar-se a partir da “cultura do bem-estar”. Trata-se de uma cultura alimentada pelo consumo, moldada pelo mercado que cultiva a idolatria ao dinheiro.

O Papa Francisco lembra que a atual crise financeira enfrentada em todo o mundo se enraíza em uma crise antropológica profunda: nega-se a primazia do ser humano. O dinheiro alcança o status de ditador, particularmente com o recurso impositivo do consumo. E consumir desmedidamente é privilégio dos que podem aumentar seus lucros e até manipular instituições governamentais – que deveriam proteger o povo da perversidade dos mercados e das especulações financeiras. A tirania do dinheiro cega e compromete o princípio da fraternidade universal – sinal da falta de ética e do distanciar-se de Deus. Apenas a ética e uma aceitação incondicional de Deus, o Deus-Menino que vem encontrar a humanidade, podem levar à sabedoria para vencer o domínio do dinheiro e do poder.

Somente Deus e a vivência de adequados parâmetros éticos são capazes de levar a civilização planetária a realizar-se plenamente, com uma ordem social mais humana. E uma corajosa reforma depende sempre de dirigentes políticos eticamente comprometidos a ajudar os pobres, respeitá-los e promovê-los. Deve-se reconhecer que a solidariedade é essencial para enfrentar a exclusão – fonte de violências. O Papa Francisco adverte que, quando a sociedade abandona, na periferia, parte de si mesma, não há programas políticos, nem forças da ordem ou serviços secretos que possam garantir, indefinidamente, a tranquilidade. Ensina o Papa: assim como o bem tende a difundir-se, também o mal consentido, a injustiça, tende a expandir-se, com a sua força nociva, e a minar, silenciosamente, as bases de qualquer sistema político e social.

A luz da esperança, a esperança fidedigna, é Cristo, que deve ser acolhido pela humanidade a partir de sua vinda. O Natal de Jesus é a semeadura da ética que tem força para transformar vidas a partir da lógica da fraternidade universal. Os augúrios são de que se deixe brilhar a luz de Cristo, com atitudes luminosas coerentes com o brilho do Natal.


Dom Walmor Oliveira de Azevedo
Arcebispo de Belo Horizonte (MG)

Advento da Luz

1A verdadeira luz do mundo é Cristo, esperado com alegria no Natal. É luz divina brilhando nas trevas escuras do mal. Deus adentra a história humana através de seu Filho, honrado e festejado no fim do ano. No Advento as comunidades cristãs se preparam para celebrar o evento do nascimento do Menino Jesus. É a dinâmica de Deus que se faz homem para que o humano se torne divino.

A percepção dos sinais sensíveis é como luz da presença divina na história humana e das comunidades cristãs, depende muito da vigilância das pessoas. A natureza criada revela Deus presente nos fatos da vida. É uma presença, muitas vezes ferida, quando agimos irresponsavelmente em relação à preservação das riquezas naturais. Entendo que o calor de então é fruto dessas atitudes irracionais.

Diante das trágicas guerras, que destroem vidas e bens da natureza, o sintoma é de impotência total e desespero daqueles que são atingidos e de insegurança para o mundo todo. Pelo que se vê, a Luz do Natal não está sendo levada em conta, reinando escuridão total, provocando destruição com dimensões incomensuráveis. Só uma conversão total será possível para surtir um caminho de paz.

Diante de tantas situações trágicas no mundo, podemos dizer que houve um esquecimento de Deus. Para aqueles que têm fé num Deus providente, estamos num momento de urgente súplica, mas também de lamentação, até com o pedido de que Deus desça do céu para acudir a terra. Toda destruição é obra da infidelidade das forças contrárias aos ensinamentos do Senhor.

Advento denota revelação da Luz, a chegada daquele que é capaz de resgatar a dignidade das pessoas e construir esperança para os fracos e espoliados da sociedade. Ele é a sabedoria divina, que consegue cumular as pessoas de fecundos dons para construir a sociedade sadia dos humanos. Sem a Luz, que é Cristo, o mundo fica deficiente como ambiente que proporciona felicidade.

Celebrar Natal é celebrar a esperança, é estar de prontidão e ser capaz de tomar decisões importantes diante dos males que estão incomodando no mundo. Não é momento de medo, de ficar escondido, mas de vigilância, andando pelos caminhos apontados pelo Evangelho. Deus nasce para salvar o povo, para reconstruir e firmar suas opções na prática do amor e da fraternidade.

 

Dom Paulo Mendes Peixoto
Arcebispo de Uberaba (MG)

Cristãos leigos e leigas, profetas do amor social, artesãos da paz, testemunhas da esperança

Na Solenidade de Cristo Rei do Universo, como já se tornou uma tradição que nos vem da Ação Católica celebramos no contexto do Reino, a vocação e missão dos cristãos leigos e leigas. Tem sentido pois por sua presença testemunhal e serviço a humanidade e a toda Criação visibilizam os sinais desse Reino tornando-o profecia viva e eficaz da evangelização que transforma por inteiro nossos relacionamentos e estruturas de convivência.

Este ano 2023 no contexto da 41º Assembleia Geral do Conselho Nacional do Laicato no Brasil, no dia 10 de junho, diante do túmulo de Dom Helder Câmara, numa homenagem a esta figura emblemática e amada do episcopado brasileiro se lembraram suas palavras: “Não deixem morrer a profecia”, que se tinha assumido como lema da Assembleia.

Este acontecimento foi o lançamento da celebração do Jubileu da fundação do CNLB, organizando um triênio comemorativo no qual em 2023 se resgataria a profecia, em 2024 o testemunho e em 2025 a memória, sendo a festa jubilar em 2026.

Sendo fiéis a estas palavras inspiradas de Dom Helder, convidativas a fazer ressoar em todos os ambientes, situações e cenários a Palavra que renova, restaura e liberta superando as escravidões e exclusões dos pobres e oprimidos, queremos no caminho sinodal com coragem e ternura abrir horizontes de conversão, mudança e transformações profundas na perspectiva do Reino.

Agradecemos e louvamos ao Deus da Vida, pelos irmãos leigos e leigas que são sal da terra e luz do mundo, como fermento que mobiliza e faz crescer o sonho de uma humanidade reconciliada, justa e fraterna, que inclua a todas as pessoas e criaturas da Terra. Bem-aventurados os que não se escandalizam mas deixam-se iluminar com a profecia de Jesus, tornando-se um grito amoroso e compassivo diante da morte e do ódio que destrói eco o afirma o Papa Francisco rouba-nos a esperança e a alegria de viver. Deus seja couvade!


Dom Roberto Francisco Ferreria Paz
Bispo de Campos (RJ)

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