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Novena de Natal 2021

Vela-AdventoEis que dezembro chegou, e com ele, a doce espera do Santo Natal. Num ano marcado pela pandemia, que desde 2020 nos assombra, trazendo uma gama de sentimentos, acontecimentos e lembranças, chegamos ao último mês do ano civil com vida e saúde e isso é uma insondável graça de Deus. Aqui estamos, unidos pela vida, pela esperança e pela fé, virtudes cristãs que nos sustentaram e continuam sustentando na caminhada, nos fazendo vislumbrar novos tempos, novos ares e, nos propondo um novo começo. Ao nos depararmos com os preparativos para a Celebração do Santo Natal, devemos afirmar com alegria ‘Ele está chegando! ’.

Sim, Natal é Jesus, e nós não podemos chegar ao Natal sem uma preparação adequada, como se fosse apenas mais uma data no nosso calendário. Sem Jesus, o Natal não faz sentido. Por mais que tentem negar Sua presença, o Natal existe por causa de Jesus, de seu nascimento em meio a nós. Insondável Mistério Divino de um Deus que, por amor, se faz Homem em meio a nós. A Sabedoria Divina sempre se coloca no hoje de nossa vida, a Palavra imutável de Deus se atualiza, sem perder a essência, para que A entendamos e, entendendo-a, Dela tomemos posse, como uma graça constante do Senhor em nosso caminhar. Assim como tudo à nossa volta se enfeita de luzes para nos chamar a atenção sobre essa época do ano (tão comercial, infelizmente), o essencial para o cristão é preparar-se interiormente, para que a Luz de Cristo renasça e brilhe mais intensamente em cada coração, em cada família e na comunidade ao redor.

Natal é Jesus que vem, que chega para aplainar os caminhos, dar vida nova a tantos corações enlutados, tristes e desesperançados. Preparar o coração para o Natal exige percorrermos um caminho, conforme a Liturgia do Advento nos ensina. Mais que enfeitar as casas com belos adornos e figuras, e isso é muito salutar e necessário, o cristão é chamado a viver essa espera em oração, seja na família, seja na comunidade, vivenciando a Novena em preparação para o Natal. Somos convidados a participarmos da Novena de Natal experenciando nove dias de reflexão, aprendendo ou relembrando a importância da preparação interior, do esvaziar-se de si mesmo para que o coração fique livre para assimilar o verdadeiro significado do Natal. O Tempo do Advento é um chamado à conversão, a uma revisão de vida diante do que temos sido e de como deveríamos realmente ser, segundo a vontade de Deus.

Olhar com verdade para dentro de nós mesmos e, sem escrúpulos interiores, buscar coragem de enxergar os erros e consertá-los, transformando-os em acertos. Encerra-se o Ano Litúrgico com a Solenidade de Cristo, Rei do Universo e inicia-se um novo com o nascimento do Rei, Aquele que veio para fazer novas todas as coisas. De um ciclo para outro, notemos: Jesus nos acompanha, vive em meio a nós na Liturgia anual, ensinando, buscando e esperando nosso verdadeiro sim! Não permitamos que Jesus passe diante de nós e não O vejamos! ‘Ó Sabedoria Suprema, ó Sabedoria de amor e misericórdia que olha com clemência para nossas fraquezas e nos quer renovados na fé, na esperança e no amor, a Vós rogamos: infundi em nós o dom da inteligência para que entendamos, ao menos um pouco, o quão grande é Teu amor! ’ Para adquirir esse entendimento tão necessário, de que tudo se renova em Cristo e com Cristo, a Novena de Natal é um excelente momento para prepararmos a nossa gruta interior, para vermos de novo o brilho da Estrela de Belém, que nos indica: há um Salvador, que é a própria Luz da vida eterna, sem O qual não há salvação!

Preparemos o presépio, enfeitemos nossas casas, preparemos com amor a chegada de Jesus, mas, principalmente nos preparemos, pois, nada disso terá valor se nosso coração se mantiver fechado ao Amor de Deus. Seja na comunidade, nas paróquias, na família, nas diaconias, nos grupos de vivência, no trabalho, nas pastorais ou na vizinhança, que a Novena de Natal seja vivida como um divisor de águas, que aponte para novos tempos de esperança e de paz, onde as dores do ano que passou sejam transformadas em alegrias renovadas pela fé no Menino Jesus que deseja nascer em cada coração. Que a Família de Nazaré seja nosso exemplo de superação e de confiança num Deus que nos ama a ponto de se fazer um de nós, para conosco viver e nos conduzir nos passos da salvação.


Dom Carlos José
Bispo de Apucarana (SP)

O Advento: o início de um novo Tempo Litúrgico

adventoO advento é o início de um novo tempo na vida litúrgica da Igreja do Senhor. Ele é permeado de muita alegria e amor, porque ele aponta para o santo Natal, para o nascimento de Jesus Cristo na realidade humana. “E a Palavra se fez carne e veio morar entre nós” (Jo 1,14). O advento é palavra proveniente do latim: adventus-us, chegada, chegar, esperar pelo advento é dado por um período de paz; são quatro semanas de preparação ao Natal. Vivamos bem este período significativo na vida familiar, eclesial e social. A seguir vejamos como a Igreja antiga fez a sua preparação em relação ao Natal, pelo tempo do advento.

A preparação para o nascimento do menino Jesus

A Igreja antiga convocava os fieis para se preparar para a vinda do menino Jesus ao mundo. Com a fixação da festa da Páscoa, um tempo mais tarde ocorreu com o Natal, a comunidade eclesial fixou um tempo de preparação para a vinda do Senhor, o advento que iniciou nas províncias da Gália, da Espanha, de, pois em Roma e também no Oriente. No Ordo Romanus XV, do século VIII, espécie de resumo de prescrições litúrgicas, ressaltou-se que o tempo do advento deveria iniciar nos primeiros dias dezembro, em preparação para o santo natal.

A Igreja antiga ressaltava a importância da vida que Deus trouxe à humanidade através de seu Filho Jesus Cristo. Maria foi percebida como a mulher que colaborou com o plano salvífico do Pai, em vista da salvação da humanidade assumida pelo Senhor Jesus Cristo. O advento se constituiu como o tempo propício de louvor e de esperança pela vinda do Messias ao mundo, mensagem evangélica para todos os tempos.

A realidade do nascimento do Messias

As representações antigas encontradas nas catacumbas e outros lugares, em vista do nascimento de Jesus colocaram a pobreza no recém-nascido, a realeza do Senhor. Os autores cristãos percebiam nas profecias do AT a alusão à encarnação do Verbo, ao nascimento do Messias, por uma Virgem, de modo que tudo isso aludiam à encarnação do Verbo, sublinhando à realidade do seu itinerário terreno e o anúncio do advento do Messias aos pastores, isto é junto ao povo hebreu.

Maria, José e o Menino Jesus

Nessas representações da Igreja antiga apareciam também as figuras de Maria, José e o menino Jesus. Em outras figuras apareciam na natividade em preparação ao santo Natal, o menino em faixas na manjedoura, o boi, o burro, apresentações lembradas na profecia de Isaias(cfr. Is 1,3). Com o tempo, as pessoas colocaram também nessas imagens a adoração dos reis magos. As apresentações deram-se em relação à Maria e a José, ajoelhados junto ao menino Jesus na manjedoura. Todas essas coisas foram importantes no tempo do advento para os fiéis prepararem o mistério da salvação, assumido pelo Filho de Deus, Jesus Cristo na realidade humana.

O tempo de espera no Senhor.

São Leão Magno, Papa do século V ressaltou num sermão de Natal o tempo da espera do Senhor, que foi o tempo do advento, e a qual se concretizou no Natal. Os tempos pré-ordenados se cumpriram para a redenção dos seres humanos, Jesus Cristo, Filho de Deus, o qual penetrou na realidade humana, descendo da morada celeste, sem deixar a glória do Pai, vindo ao mundo por um novo nascimento. O Senhor Deus impassível, não se julgou indigno assumir a humanidade passível, imortal, mas ele submeteu-se às leis da morte para salvar a todos.

A vinda do Senhor

São Cirilo de Jerusalém, bispo do século IV afirmou a alegria pela vinda de Cristo, não apenas a primeira, mas também a segunda, a gloriosa, pois se a primeira foi revestida do ponto de vista de sofrimento, pela humanidade, a segunda manifestará a coroa da realeza divina. Se a primeira vinda ele foi envolto em faixas, e reclinado num presépio, na segunda será revestida pela luz. Se a primeira ele teve que suportar a cruz, na segunda virá cheio de glória, cercado pelos anjos. Desta forma a advento nos ajuda a viver a dimensão da vinda do Senhor que se fez carne para a nossa salvação.

A Palavra do Pai se fez pessoa humana

São Gregório de Nazianzo, bispo de Constantinopla, século IV afirmou que o Filho de Deus, que existe desde toda a eternidade, incorpóreo, a luz nascida da luz, a fonte da vida e da imortalidade, a Palavra do Pai veio em ajuda à criatura feita à sua imagem e por amor do ser humano se fez pessoa humana, gente, homem. Ele assumiu tudo o que é humano, exceto o pecado. O bispo também ressaltava que o Senhor que enriqueceu os outros, tornou-se pobre, aceitando a pobreza da condição humana para que a mesma recebesse os tesouros de sua divindade. Aquele no qual possui tudo em plenitude aniquilou-se a si mesmo; despojou-se de sua glória por um tempo para que as pessoas participassem de sua plenitude.

A necessidade de vigiar

Santo Efrém, Diácono do século IV colocou a necessidade, no tempo da espera, no caso do advento, de vigiar, do latim vigilare, cujo significado é alerta, estar atento, fazer muita atenção, porque este tempo é especial e exige a vigilância. Diante da interrogação dos discípulos para saber a hora de sua vinda, o Senhor ocultou a todos a hora, para que todos os seus seguidores ficassem vigilantes. O Diácono também afirmou que se o Senhor tivesse revelado o tempo de sua vinda, esta deixaria de ter interesse e poderia não mais ser desejada pelos povos das épocas em quem se manifestará. Se o Senhor disse que viria, no entanto ele não declarou o momento de modo que as gerações e todos os séculos o esperam de uma forma ardente e alegre.

O advento é um tempo especial que nos ajuda a preparar bem a vinda do Messias, Jesus Cristo em nossa realidade. Ele já veio de uma forma humana e agora Ele vem sempre em nosso meio para nos encorajar para sermos discípulos, missionários em saída, para torná-lo conhecido e amado pelos povos. O advento é tempo de alegria, pois o nascimento de Cristo trará vida nova para toda a humanidade, pois o Filho de Deus se tornou gente, carne e veio habitar no meio de nós (cfr. Jo 1,14). Nós somos chamados a viver o advento como tempo de aumento de nossa fé, esperança e caridade.


Dom Vital Corbellini

Bispo de Marabá (PA)

Novos tempos na Arquidiocese de Juiz de Fora

Pintura-CatedralCom grande alegria, celebramos, no dia 31 de outubro, a Santa Eucaristia como marco especial, em nossa Igreja Particular juiz-forana, agradecendo a Deus pela primeira etapa de nosso II Sínodo Arquidiocesano, iniciado a 7 de dezembro de 2019, que durou praticamente dois anos, marcado fortemente pela inesperada pandemia da Covid-19. Neste mesmo momento, com muita alegria e esperança, abrimos a Segunda Fase Sinodal, empreendendo caminhos novos neste tempo que já se abre para a superação da pandemia.

Nesta ocasião marcante de nossa história arquidiocesana, quando caminhamos também para celebrar o centenário diocesano, tivemos a satisfação de escolher e chamar ao Diaconato nossos caros filhos, Rafael Coelho do Nascimento e Robert César Teixeira. A ordenação diaconal desses irmãos representa muito para todos nós, pois, além de serem dois novos servidores de Deus que chegam para se somarem ao clero na construção do Reino, também representam, nesta nova fase sinodal, a marca da atenção aos pobres e à reforma da vida pastoral, dois elementos eminentemente diaconais. Foi para isso que os Apóstolos instituíram a ordem dos diáconos na Igreja, como lemos no Atos dos Apóstolos 6, 1-7. É significativo o lema que eles escolheram: “Ungiu-nos, selou-nos e pôs em nosso coração o Espírito como penhor”, da 2ª Carta aos Coríntios, 1, 22. O serviço na Igreja é sopro do Espírito que nos unge e nos envia e eles serão força nova nesta missão.

Que queremos, em nossa Arquidiocese, com todos estes fatos, senão colocar em prática, da melhor maneira possível, o grande mandamento que Jesus ensinou? O que queremos com nosso Sínodo, senão caminhar juntos, praticando concretamente o amor? O que pretendem nossos jovens irmãos, ao se consagrarem perpetuamente a Deus, senão servir desinteressadamente, como fez o Senhor somente por amor? À base de nossos sínodos, com a proposta de caminharmos sempre juntos, está o mandamento maior: amar a Deus e amar o próximo. Aqui se unem liturgia e ação caritativa, solidária, misericordiosa, sobretudo com os mais vulneráveis.

A nova fase sinodal se organiza com dois olhares especiais provocados pelo período pandêmico. O primeiro é para os que foram mais atingidos pela pandemia: os pobres, os vulneráveis, os doentes com suas sequelas, as famílias mais atingidas pelas mortes. Quanto a isso, nos ajudam as palavras do Papa Francisco, sobretudo duas que ele tem repetido frequentemente: compaixão e esperança. O segundo olhar será para nós mesmos, para revisarmos nossos esquemas pastorais a fim de torná-los cada vez mais eficazes. Os pronunciamentos do Papa Francisco nos ajudarão, sobretudo a encíclica Fratelli Tutti, lançada há um ano, a 3 de outubro de 2020, sobre a fraternidade e a amizade social.

Eis os grandes desafios colocados pela nossa fé nesta nova etapa de nossa caminhada sinodal arquidiocesana. Unidos todos, com coragem e ânimo, movidos pelo Espírito do Senhor, com disposição e amor, vamos juntos caminhar neste novo tempo, certos de que estamos realizando o grande preceito do Senhor: amar a Deus com todo nosso coração, com toda a nossa mente, com todo nosso entendimento e com toda a nossa força, e ao próximo como a nós mesmos.

Que Maria Santíssima, a quem queremos escolher como Mãe amorosa protetora de nossa Arquidiocese, nesta caminhada rumo ao centenário diocesano, juntamente com Santo Antônio, nosso Padroeiro, nos abençoem como fiéis intercessores diante da Trindade Santíssima, a eterna comunidade de amor.


Dom Gil Antônio Moreira
Arcebispo Metropolitano de Juiz de Fora

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