Novena de Natal virtual marca Tempo do Advento em ano de pandemia

Novena-de-Natal-2-211x300A caminhada litúrgica da Igreja é marcada por vários tempos, e cada um deles celebra uma dimensão da vida do Cristo e de sua ação missionária. Neste domingo, 29 de novembro, inicia-se o Advento, que, como a própria palavra diz, representa a alegre espera da chegada de Deus, por meio de Seu Filho Jesus.

Este tempo, que assinala o começo do Ano Litúrgico e se encerra na tarde de 24 de dezembro, compreende as quatro semanas que antecedem a festa do Natal. Nas duas primeiras, a liturgia convida a vigiar e a esperar a vinda gloriosa do Salvador; nas duas últimas, recorda a espera dos profetas e de Maria, recordando a proximidade do cumprimento da promessa salvífica de Deus.

O Advento ainda é marcado por uma Guirlanda ou Coroa, composta por quatro velas nos seus cantos, presas aos ramos formando um círculo. A cada domingo acende-se uma delas, representando as várias etapas da salvação. Neste período prevalece a cor roxa, símbolo da conversão que é fruto da revisão de vida.

Após a audiência geral da última quarta-feira (25), Papa Francisco recordou a importância do período que está prestes a começar, especialmente por conta da pandemia. “Nestes tempos difíceis para muitos, esforcemo-nos por redescobrir a grande esperança e alegria que nos dá a vinda do Filho de Deus ao mundo”. O Santo Padre ainda indicou que, durante a viagem dos quatro domingos do Advento, a luz de Cristo pode “iluminar os nossos caminhos e dissipar a escuridão dos nossos corações”. E completou, convidando os cristãos a “dedicarem momentos de oração”, “meditando à luz da Palavra de Deus, para que o Espírito Santo possa iluminar o caminho a seguir e transformar o coração, na espera o Nascimento de Nosso Senhor Jesus”.

Novena de Natal

Em 2020, a celebração do Advento e do próprio Natal será um pouco diferente por conta da pandemia da Covid-19, mas não menos especial. A tradicional novena que caracteriza o tempo de espera do nascimento de Jesus, em que grupos de famílias, amigos e vizinhos se reúnem, este ano será feita virtualmente na maioria dos lugares.

Na Arquidiocese de Juiz de Fora não será diferente. A novena, que assim como nos últimos anos foi preparada a nível de Província Eclesiástica, em parceria com as dioceses de Leopoldina e São João del-Rei, não foi impressa e já está disponível em formato digital para celulares e smartphones. Ficará a cargo de cada paróquia a organização e o formato das reflexões novenárias.

“Como Igreja, fomos encontrando novas maneiras de nos fazer presentes no coração das pessoas e das famílias, sempre com uma palavra de esperança, de conforto e também de profecia. Nunca foi tão eloquente evangelizar ‘pelas ruas e sobre os telhados!’. Redescobrimos o coração de nossas famílias, a oração familiar, a presença e proximidade na distância. Assim, também a Novena de Natal em família deste ano pandêmico quer ser, na sequência, mais uma oportunidade pessoal e familiar para vivenciar a celebração do Natal de Jesus como luz que desponta e aponta em meio a esta noite tenebrosa, escura, fria, como um grande acontecimento de fé que toca a todos nós espiritualmente”, escreveu a Comissão Arquidiocesana para a Novena de Natal 2020 no livreto on-line.

Na mesma direção, o Arcebispo Metropolitano de Juiz de Fora, Dom Gil Antônio Moreira, afirma que a Igreja precisou se reinventar durante a pandemia. “A surpresa invadiu os mais requintados laboratórios, as mais altas esferas da ciência, o comércio, os governos, o transporte, e tantos outros setores, modificando relações e atendimentos. Também na Igreja, a realidade pandêmica vem desafiando métodos, provocando reorganizações e incitando a reinvenção de muitas coisas.

O pastor ainda comenta o lema escolhido para este ano: “Deus habita esta cidade” (Sl 47, 9). “É um lema empolgante, porquanto nos dá oportunidade de ver o bem que Deus pode tirar as coisas más, e Ele mesmo morar no meio de nós. Não estamos sós. O Emanuel, Deus conosco é uma realidade salvadora”.

Além dos textos da novena, a comissão organizadora disponibilizou artes personalizáveis para os nove dias, que podem ser compartilhadas nas redes sociais por paróquias, grupos e movimentos. Clique aqui e confira todo o material.

Fonte: site da Arquidiocese de Juiz de Fora

Vai e faça o mesmo

o-bom-samaritanoAo observarmos a parábola do Bom Samaritano (Lc 10, 29-36) observamos três personagens: o sacerdote, o levita, o estrangeiro. Cada um teve uma atitude em decorrência do desenrolar da história. Sem dúvida, sobressai a figura do estrangeiro. Ele foi o bom, o misericordioso, o irmão solidário. É isso mesmo que Jesus nos ensina: ter cuidado com o necessitado, abrir mão de sua nacionalidade e sentir a necessidade de ajuda. Quantas vezes vemos pelas ruas um pobre, um carente de recursos e tomamos a atitude do sacerdote ou do levita: a indiferença diante daquele carente de afeto. Jesus não se cansou de dar exemplo do misericordioso, do interessado em servir o outro. Lembre-se de que você não é sozinho no mundo. Alguém precisa de você. Vá e faça o mesmo, seja um bom samaritano.


Padre Antônio Pereira Gaio
Vigário Paroquial da Catedral

Arquidiocese de Juiz de Fora se despede de Monsenhor Miguel Falabella

DSC 0144“A todos levo no coração”. Esta foi a mensagem que Monsenhor Miguel Falabella de Castro deixou a familiares, amigos e admiradores horas antes de retornar à UTI da Santa Casa de Misericórdia, no sábado (21) à noite, de onde pressentia que não mais sairia com vida. O recado é um alento para aqueles que tanto sentiram o seu falecimento, ocorrido no final da noite da última segunda-feira, 23 de novembro, depois de 15 dias de internação. O sacerdote, que se confunde com a história de Juiz de Fora e era, até então, o segundo mais velho do Clero juiz-forano, foi vítima da Covid-19.

Embora os protocolos das autoridades sanitárias não tenham permitido um velório aberto à população e uma Missa de corpo presente, sua morte foi recordada em Celebração Eucarística na Catedral Metropolitana, onde foi pároco por quase quatro décadas. O Arcebispo de Juiz de Fora, Dom Gil Antônio Moreira, presidiu a Eucaristia, que foi concelebrada pelo Arcebispo Emérito de Sorocaba (SP), Dom Eduardo Benes de Sales Rodrigues, e por vários padres de nossa Igreja Particular.

DSC 0023Durante a homilia, Dom Gil lembrou os 12 anos de convivência com Monsenhor Falabella e a forma com que ele faleceu. “No domingo passado, quando a Igreja inteira celebrava Cristo Rei do Universo, a conclusão do Ano Litúrgico, e nos preparava para o fim dos tempos e também da vida de cada um de nós, o nosso irmão querido, Monsenhor Miguel Falabella de Castro, se despedia. Nos últimos momentos do dia de ontem ele partiu para o Pai, serenamente, cheio de fé e de amor, pronto e desejoso de encontrar o Pai para o abraço feliz da eternidade”.

Segundo o Arcebispo, o monsenhor tinha um grande amor a Deus, à Maria e à Igreja, sentimentos que registrou em um Testamento Espiritual, lido em parte durante a missa de terça-feira (24). “Acabamos de ouvir a homilia última que Monsenhor Falabella nos faz, através desses trechos. Sugiro que todos acompanhem, na próxima Folha Missionária, que está sendo publicada pelos meios virtuais, para ver tudo mais o que ele disse a respeito de sua vida e da sua morte”, conclamou. “Voltando ao Evangelho que nós ouvimos, quero recordar que Nosso Senhor nos deu a matéria final para o nosso ingresso na eternidade. ‘Vinde, benditos de meu Pai. Tudo o que fizestes ao menor dos meus irmãos, foi a mim que o fizestes’ (Cf. Mt 25, 34-40). Por isso, agradeço a Deus o exemplo deste homem, e tenho convicção plena de que já entrou na eternidade, ouvindo esta palavra de Nosso Senhor. Interceda por nós diante de Deus este santo sacerdote que passou pelo nosso meio e nos ensinou a viver e até a morrer”, finalizou Dom Gil.

Padre Leonardo Pinheiro foi quem esteve mais próximo de Monsenhor Falabella em seus últimos momentos, e pela amizade construída durante décadas, um dos que mais sentiram sua partida. “Eu o conheço desde os seis anos. Fui coroinha dele na Catedral. Cresceu uma amizade muito grande, a tal ponto que se hoje eu sou padre, digo que me espelho no exemplo dele de vida, de vocação. Agradeço e louvo a Deus por tudo o que o monsenhor representa na minha história, na minha vida, e representa na história da Igreja de Juiz de Fora”. O padre ainda deu testemunho da postura do monsenhor no tempo que passou no hospital. “Nesses últimos dias, demonstrou mais ainda a sua fé, o seu amor à Igreja, o seu amor a Deus, e acho que uma marca é a serenidade com que ele viveu toda a sua vida, mas particularmente esses últimos dias. Eu tenho a testemunhar isso: até nesse grande momento desafiador, a sua serenidade e a sua fé”.

DSC 0033-300x199Dom Eduardo Benes foi aluno de Monsenhor Falabella no Seminário Santo Antônio e pôde com ele conviver nos anos em que trabalhou na Catedral e também mais recentemente, no Lar Sacerdotal. O bispo ressaltou o lado cordial, afável e dinâmico do amigo. “Perdemos um companheiro, um irmão de comunidade, mas ganhamos um amigo no céu. Por isso, se de um lado sentimos a sua falta, de outro lado nos alegramos porque acreditamos na vida eterna. Eu estou muito contente de ter estado nesses momentos com ele”.

Quem também deu testemunho dos anos de convivência com Monsenhor Falabella foi o Padre Expedito Lopes de Castro, que o conheceu ainda jovem. Emocionado, o presbítero contou da relação que começou no dia do falecimento de sua avó e se fortificou após sua entrada no Seminário. “Quando eu ordenei sacerdote e fui trabalhar, no segundo ano de padre, na Paróquia Nossa Senhora das Dores em Bias Fortes, ele foi um grande irmão, um verdadeiro pai. Ele não media esforços para nos ajudar, inclusive fez para a paróquia a doação de um carro, o que muito nos ajudou”. Além disso, foi o monsenhor quem o incentivou a iniciar o programa ‘Encontro com Deus’. “Há 18 anos, foi ele que me apresentou a equipe da Rádio Solar e lá eu comecei esse trabalho nos meios de comunicação aqui em Juiz de Fora, e nunca mais parei. Eu fico emocionado ao lembrar deste grande sacerdote, deste coração imenso, de um homem bom, que agora brilha no céu e de lá, sem dúvida alguma, vai interceder por todos nós”.

Outro que construiu uma forte amizade com Monsenhor Falabella foi o Padre Antônio Camilo de Paiva. “Era um padre que transitava em todas as idades do clero, sendo respeitado por todos. Tinha inteligência emocional e um humor fantásticos. Sempre com aquela palavra serena, tranquila, monsenhor foi também o homem da caridade. Ele ajudou famílias e paróquias. No período em que ele era pároco da Catedral, doou carros para muitas paróquias de Juiz de Fora, inclusive quando eu estava na cidade de Passa Vinte, nós fomos contemplados”. Por fim, o Padre José de Anchieta Moura Lima destaca o exemplo de homem e sacerdote deixado pelo monsenhor. “Eu aprendi muito com Monsenhor Falabella, com seu jeito de acolher todo mundo, seu jeito simples de viver. Ele deixou para nós esse exemplo bonito de uma devoção muito forte à Nossa Senhora, de um compromisso muito sério com o evangelho, de uma preocupação com o conjunto da Igreja”.

Apesar de ser natural de Mar de Espanha (MG), a trajetória de Monsenhor Miguel Falabella se confunde com a história de Juiz de Fora. Ordenado pelo primeiro bispo da então diocese, Dom Justino José de Santana, em 1954, sua importância foi recordada pelo Prefeito Antônio Almas. “Monsenhor Falabella, que sempre se dedicou a um grande trabalho pastoral na cidade de Juiz de Fora, com certeza, conseguiu, com isso, combater o bom combate e agora merece a coroa da justiça. Está no céu, celebrando e dando glórias a Deus”.

DSC 0146No início da tarde de terça-feira (24), o corpo do monsenhor foi velado e sepultado no Cemitério Parque da Saudade. Poucos familiares e amigos participaram do momento, obedecendo àquilo que pedem as autoridades sanitárias em casos de falecimentos por Covid-19. Pelo mesmo motivo, o caixão permaneceu fechado durante o velório, que durou pouco mais de uma hora. O rito exequial foi conduzido pelos padres Leonardo e José de Anchieta e, logo em seguida, ocorreu o sepultamento.

Fonte: site da Arquidiocese de Juiz de Fora

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